Volkswagen americana boaA Volkswagen já se convenceu de que irá gastar cerca de US$ 30 bilhões, depois de ter sido flagrada em fraude que alterava o nível de emissões de poluentes dos motores a diesel de carros nos Estados Unidos, em 2015. Há um mês, um juiz de Detroit condenou a montadora a pagar US$ 2,8 bilhões, como parte de um acordo inicial com o Departamento de Justiça dos EUA. Nesse valor está incluído o preço de comprar de volta (a título de indenização) quase 500 mil veículos atingidos pela fraude, somente nos EUA.

Em fevereiro último, o grupo Volkswagen provisionou no balanço US$ 24 bilhões por conta dos passivos que terá de enfrentar, apenas nos EUA. Provisões são feitas quando uma empresa não tem certeza de que vai receber algum valor (por conta de devedores duvidosos) ou sabe que terá algum passivo, fora do orçamento previsto. A companhia continua a sofrer danos financeiros e de imagem, devido à pior crise de negócios em sua história. Somente em 2016, o passivo da montadora com a crise dos poluentes chegou a US$ 6,4 bilhões.

Um juiz federal em Detroit assinou, em janeiro, o que poderia ser um dos últimos grandes desembolsos no escândalo de emissões de diesel da Volkswagen, ordenando que o fabricante alemão pagasse uma sanção penal de US$ 2,8 bilhões, negociada como parte de um acordo com o Departamento de Justiça dos EUA.

Esse valor é apenas parte dos prejuízos que a montadora alemã terá que assumir, após ter sido apanhada, em 2015, utilizando um software que mascarava os índices de poluição de seus veículos nos EUA. Suas ações estão hoje cotadas a 140 euros, longe do valor anterior à crise dos poluentes, quando valia 252,20 euros. Esse valor das ações continua instável, sujeito a oscilações cada vez que a imprensa destaca as penalizações financeiras aplicadas à montadora. Sem contar o arranhão na reputação, que dificilmente tem um cálculo preciso de quanto representa de prejuízo, por atingir o valor de mercado da companhia.

Após um início titubeante, a Volkswagen parece que acertou o tom apropriado para se comunicar durante esta crise. Em uma das declarações de porta-vozes da empresa, não muito comum no mundo corporativo, o conselheiro geral da VW Manfred Doess foi flagrado dizendo: "A Volkswagen lamenta profundamente o comportamento que deu origem a este caso.” De forma simples, ele admitiu que a empresa errou. “A realidade desta situação é que, ao comunicar de forma correta, o executivo vai mitigar milhões de dólares em danos, uma vez que uma crise dessa dimensão não consegue ser sanada sem um grande impacto financeiro”, diz Erick Bernstein, especialista em crisis management, nos EUA.

Segundo Erick Bernstein, “A crise não vai destruir o que está listado como a oitava maior empresa do mundo por receita, especialmente considerando o fato de que os consumidores ainda estão desfrutando em grande parte sua experiência com veículos VW, mas o tropeço da montadora alemã vai ficar como um lembrete para marcas fortes que não compensa cruzar a linha (da ética e da boa governança) para perseguir mais lucros. A gestão de crises adequada pode ajudar qualquer situação, mas quando você é pego fazendo errado, há um preço a pagar que nenhuma quantidade de manobras (ou estratégias) pode impedir."

Apesar desse tropeço de gestão, que causou danos à reputação, a Volkswagen conseguiu, no ano passado, superar a Toyota como a montadora que mais vendeu carros no mundo, graças, principalmente, ao mercado da China, onde o escândalo das emissões de gás não chegou a ser uma crise.

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