queimadaA divulgação na semana passada de que o desmatamento na Amazônia aumentou no último trimestre acendeu uma luz amarela nos gabinetes dos ministérios de Brasília. Ninguém quis assumir a culpa sozinho e até o presidente da república  colocou em dúvida os dados divulgados oficialmente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e pela ONG Imazon, corroborados pelo Ministério do Meio Ambiente.    

O que se ouviu dos porta-vozes oficiais foram trocas de acusações. Cada um tentando jogar a culpa para cima do outro. A agricultura e a pecuária, que aparecem como os vilões do desmatamento, foram apoiadas pelo Ministério da Agricultura, que desmentiu a intervenção dos agropecuaristas nesses ataques à floresta, sob o argumento de que a área para essas atividades não aumentou nos últimos anos.  

O Ministério do Meio Ambiente foi rápido em botar a culpa nas atividade predatórias dos fazendeiros. Segundo o MMA, os fazendeiros preferem desmatar, tirando lucro da floresta e abrindo clareiras à custa das derrubadas e queimadas. Ibama, Incra, MST, associações de fazendeiros, ONGs, Igreja, todos  entraram na discussão que acabou mais confundindo do que esclarecendo.  

Se hoje fosse feita pesquisa para saber a opinião geral sobre o gestor e  responsável por esse passivo, ninguém saberia apontar. Genericamente diriam que é o Governo, com todos os tentáculos, uma infinidade de repartições nacionais e locais, que são pagas para fiscalizar, mas só aparecem quando a imprensa dá o alarme. Alguns jornais foram in loco verificar as agressões à floresta e não precisou de polícia, fiscal ou satélite para flagrar a impunidade dos fazendeiros e grileiros. Mesmo após o alarme geral, com toda a divulgação da mídia, continuavam derrubando árvores e transportando madeira  pelas estradas inexpugnáveis da Amazônia.  

A lição que se tira desse episódio é que os governos (tanto federal como estaduais) estão despreparados para enfrentar situações constrangedoras e difíceis como essa. Além da falta de um xerife, que responda e interfira nesses momentos com autoridade, também pecou o governo pelo amadorismo em se comunicar sobre o episódio, com envolvimento de vários ministros. Não é de hoje que os manuais de crise recomendam que “não se lava roupa suja em público”. Ministros ignoram as recomendações do presidente da república e  continuam batendo boca pelos jornais, mandando recado para os outros ou para a sociedade, que não entende afinal quem tem razão.  

Os ministérios envolvidos, o que significa o governo, saíram bastante chamuscados desse episódio que marcou os últimos dias. Ainda bem, para o governo, que o carnaval veio como se fosse uma bendita chuva sobre a poluição que essa notícia deixou no ar. A performance das mulatas e dos cantores baianos serviu para fazer esquecer, pelo menos por um tempo, que apesar do carnaval e dos feriados, muitas árvores continuam sendo derrubadas na Amazônia, sem qualquer ação efetiva para impedir e punir. Os desmatadores agradecem a confusão e ao Rei Momo.

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