Brasil e Belgica 1A derrota, seguida da eliminação, da seleção brasileira de futebol da Copa da Rússia, depois de ser apontada por nove entre dez comentaristas e desportistas como a favorita para ganhar a Copa, mostra, entre outros problemas que ainda estão aparecendo, a falta de uma liderança na hora do aperto e uma melhor condução do jogo, a partir do primeiro gol no encontro com a Bélgica. A desestabilização naqueles minutos posteriores ao gol, até pela forma como ele ocorreu, custaram caro à seleção, que demorou muito para "voltar" ao jogo.

As vitórias anteriores para times de segunda linha, nenhum deles favorito para ganhar a Copa (a Alemanha jogou amistoso com reservas e o México nunca passou das oitavas) esconderam as fragilidades de um time cheio de estrelas, mas com falhas evidentes quando foi testado no limite, por um adversário muito bom, invicto, com quatro vitórias na Copa. Mas, mesmo assim, perdeu para uma seleção da Bélgica, que sequer era citada como favorita à conquista da Copa.

Passada a ressaca pela derrota, nada como o pós-crise para “lamber as feridas” e analisar “por que falhamos”? Por que o time que tinha um dos candidatos a “craque da Copa” tomou um gol da Bélgica, numa jogada bizarra, e se perdeu em campo, não conseguindo botar a bola no chão e praticar aquele futebol que todos achavam – descontados os comentários ufanistas de Galvão Bueno e cia. -, encantado e quase imbatível?

Alguns analistas, entre eles o goleiro da Bélgica, não perdoaram: excesso de confiança, salto alto, “os brasileiros pensavam que iriam ganhar a Copa”, falta de um líder, treinos muito intensos, levando a contusões, falta de foco, devido ao excesso de badalação, falta de jogos com equipes mais fortes. Enfim, se o time do Brasil tivesse vencido - o que poderia ter acontecido pelas oportunidades que teve -  nada disso estaria sendo questionado nesse momento.

Mas a derrota tem a virtude de expor, até mesmo escancarar, certos defeitos que a empolgação da vitória acaba mascarando. Mas de todos, um que ficou evidente nesse jogo com a Bélgica, foi a falta de controle da equipe e de uma liderança em campo. Esse líder daria o tom do jogo e ajudaria a baixar o estresse e a ansiedade do time, principalmente após o primeiro gol. O rodízio de capitães, prática adotada equivocadamente por Tite, além de ter criado uma disputa ou expectativa velada no grupo, não permitiu que a figura de um jogador experiente crescesse  e se tornasse o “xerife” do time, como aconteceu em outras Copas vencidas pelo Brasil, como 1970 (Pelé), 1994 (Dunga) e 2002 (Cafu e Ronaldo), por exemplo. Com a saída de Daniel Alves, mais experiente, Tite optou por essa prática de rodízio.

Nem Neymar, com sua fama e técnica, ajudou no momento em que o time ficou perdido em campo, correndo atrás do placar. Ao contrário. As reclamações, encenações e quedas de Neymar ajudaram a tumultuar muitas vezes o clima dos jogos, mesmo na fase de classificação, levando os juízes a deixar passar sem punição lances com faltas duvidosas a favor do Brasil, criando um clima contra a seleção brasileira e de revolta dos jogadores. No momento em que o time mais precisou do craque, ele não apareceu. Sua falta de maturidade sobressaiu nesse momento. E deixou passar uma Copa do Mundo onde, com a eliminação dos badalados Cristiano Ronaldo e Messi, era o momento propício a se revelar como o nome do torneio. Embora protagonista, Neymar em nenhum momento desse jogo decisivo apareceu como o aglutinador do grupo para mantê-lo focado na partida e concentrado para buscar o resultado.

O balanço da participação do Brasil não é negativo. Mas, pelo favoritismo, pela expectativa gerada e ante a pseudofragilidade dos adversários, ainda  mais após a eliminação de Alemanha, Espanha e Argentina, o Brasil volta para casa com aquela sensação amarga na garganta de ter deixado escapar, por pouco, a oportunidade de continuar na Copa e tentar o título.

Talvez tenha havido uma certa autossuficiência ou soberba de que o time venceria ao natural. Incensada pela mídia, a seleção se preparou como a franca favorita para levar o título. Nenhuma equipe é imbatível. Pelo menos caímos jogando um bom futebol e tentando o empate. Ao contrário de 2014, na vergonhosa derrota de 7x1 para a Alemanha. A Bélgica venceu porque soube administrar a "grande" vantagem que conseguiu. 2 x 1 numa Copa do Mundo pode ser uma goleada. Principalmente, quando o time manda para o casa o único pentacampeão da Copa do mundo.

Se a Copa na Rússia frustrou a expectativa dos brasileiros, é voltar e começar de novo. Que venha o Qatar, em 2022. Para muitos jogadores que estavam na Rússia, acabou, foi a última Copa. Outros que estarão lá, ainda não apareceram. A lição que tiramos desse tropeço da seleção brasileira é que um um pouco de humildade não faria mal a ninguém. E que jogadores de seleção, menos do que representar o País, como soldados, como disse um deles numa entrevista, são atletas de ponta e, preferencialmente, deveriam sempre colocar o interesse coletivo acima de seus caprichos pessoais, projetos financeiros ou midiáticos.

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