universidades britanicasO alerta vem da Grã-Bretanha, onde o ensino é apontado como um dos mais exigentes e conceituados do mundo. Muitos professores das universidades de primeira linha falharam em seus métodos de ensino para se adaptar à era digital, admitem diretores de escolas.

Grande parte de professores continua a dar aulas sem o uso de tecnologia tradicional que poderia tornar o ensino mais atraente; ou mal sabem avaliar se os estudantes entendem o que está sendo ensinado, disse o diretor.

Em declarações ao jornal britânico The Times, em notícia publicada neste fim de semana, Chris King, presidente da Confederação de diretores das principais escolas privadas do Reino Unido, as universidades devem repensar o ensino, especialmente para os alunos do primeiro ano. "Os alunos mudaram. O caminho que lhes está sendo ensinado e a maneira com que eles têm aprendido também mudaram".

"Há queixas de que as crianças de hoje não se sentam, ou, silenciosamente, mal absorvem o que diz o professor e escrevem anotações sobre as quais eles possam conferir: eles aprendem de maneiras diferentes e têm diferentes expectativas dos professores".

Segundo o The Times, com base no que dizem os diretores, “os melhores professores devem abraçar a tecnologia para dar aos alunos uma "dieta mista". Também eles poderiam usar os aplicativos para conduzir testes em tempo real para identificar pontos ou conceitos que os estudantes não conseguem entender”.  

"Devolver e corrigir, além de refletir, sobre o material que tenha sido entregue, dar feedback para os estudantes faria uma enorme diferença para a sua confiança", disse King, diretor da Leicester Grammar School.

"Muitas aulas ou palestras nas universidades começam e terminam, sem nenhuma revisão; não há ritmo e oportunidades de variação para questionamentos e visão crítica”.

O The Times diz que "as universidades têm sido proativas em colocar material didático na intranet, por exemplo, mas será que elas têm sido  proativas em cobrar se o material ali posto tem sido lido e entendido?"

Em resumo, o que os britânicos estão questionando e poderia ser aplicado no Brasil é quanto a tecnologia por si só melhora a educação, se não tivermos professores que façam um mix dos recursos tecnológicos com a efetiva capacidade docente. Estariam nossos professores preparados para essa revolução?

Se somente a tecnologia e o acesso à internet fossem suficientes, por que a educação brasileira continua nos últimos rankings de desempenho internacional, se somos um dos países mais conectados do mundo? Pelo menos quanto às escolas privadas, com alunos que facilmente têm acesso à tecnologia, a educação deveria ser diferenciada, mas nas seleções internacionais essa diferença não aparece. Os professores continuam sendo os grandes influenciadores e motivadores dos alunos, mesmo com todos os recursos tecnológicos hoje existentes.

O que o artigo do jornal britânico suscita, com base nos questionamentos das autoridades, é que diretores das escolas privadas provoquem um diálogo com as principais universidades sobre como essas escolas poderiam melhorar o ensino, a fim de facilitar a transição do Ensino Médio para a universidade. Essas também deveriam preparar melhor os alunos, utilizando, por exemplo, os projetos de qualificação (feitos no fim dos cursos de ensino médio) para aprimorar as habilidades.

Também as escolas deveriam preparar melhor os alunos do ensino médio, utilizando o trabalho mais importante na conclusão dos cursos - o projeto do último ano, que muitas vezes é decisivo para os objetivos futuros dos alunos. Esse trabalho poderia ser uma boa ocasião para melhorar as habilidades de pesquisa dos futuros universitários.

No entendimento dos diretores de escolas privadas, os estudantes estão exigindo cada vez mais um ensino melhor, desde a introdução das novas taxas que os universitários pagam nas anuidades do ensino universitário. "Há uma grande mudança nos alunos a esse respeito, o que tem ocorrido nos últimos 10 a 15 anos".

“Eles estão levando muito a sério o fato de ir para a universidade - não é um exercício fútil. Eles realmente desejam obter uma excelente graduação." Ao contrário do Brasil, em alguns países da Europa, incluindo o Reino Unido, a grande competição dos alunos que terminam o ensino médio é obter uma boa qualificação para serem aceitos numa universidade de ponta. O funil cada vez fica mais estreito, até porque a concorrência também aumenta. Isso pode ser explicado pelas dificuldades por que tem passado o Reino Unido, nos últimos anos, sobretudo a partir da crise econômica de 2008. O desemprego aumentou, e junto com ele a concorrência da imigração. Embora bastante restritiva e contida, não há dúvidas de que a Grã-Bretanha ainda é um dos países que mais atraem estrangeiros no mundo. E isso também pressiona o ingresso nas universidades.

Os comentários do diretor vieram após um ataque ao ensino das universidades por parte do ministro das universidades e da ciência, Jo Johnson, ao dizer que os padrões eram "lamentáveis" em algumas escolas, variando entre desigual e irregular em muitas outras.

Foto: Zero Creatioves/Corbis

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