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CEO bomPor que a ética do CEO é mais importante do que nunca? Violações éticas estão fazendo com que mais CEOs percam os empregos. O que estaria acontecendo? As empresas não estão fazendo uma boa seleção dos principais dirigentes? Os pesquisadores dizem que os números crescentes não apontam para mais comportamentos desonestos: é que os CEOs estão sendo responsabilizados por uma quantidade maior de falhas em decisões, que acabam comprometendo a gestão. O que enfatiza cada vez mais a importância do compliance. Em função também de uma cobrança da sociedade, dos acionistas e da mídia por mais transparência e disclosure.

Enquanto a crise faz o volume de negócios globais estar em declínio, a proporção de CEOs sendo demitidos por questões éticas está em ascensão. A porcentagem permanece relativamente baixa, mas a tendência é uma das que exigem atenção redobrada de todas as organizações. Os EUA e o Canadá viram o índice dobrar para 3,3% dos quatro anos que terminaram em 2011 para os quatro que terminaram em 2016. Outras regiões viram escalas mais graves, como por exemplo, nos chamados BRIC, Brasil, Rússia e Índia, onde os números quase triplicaram, atingindo quase 9% de todos os CEOs despedidos nessas áreas.

Enquanto o número parece pequeno - apenas 82 CEOs foram expulsos por escândalos entre as 2.500 maiores empresas públicas dos EUA, nos últimos cinco anos - as demissões por mau comportamento entre 2012 e 2016 aumentaram de 3,9 por cento no período anterior de cinco anos para 5,3 por cento no últimos cinco, um crescimento de 36%.

O Brasil faz parte do grupo que registrou o aumento mais expressivo: nos BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o número de CEOs afastados por conta de más condutas cresceu 141%. Nos EUA e Canadá, o crescimento foi de 102% e nos países da Europa Ocidental, 41%. A maioria das trocas de comando, porém, é planejada: mais de 80% nos BRICs e EUA/Canadá e pouco menos de 70% na Europa Ocidental. 

Na América do Norte e Europa Ocidental, afastamentos de CEOs aumentaram de 4,6% para 7,8%; nos mercados em desenvolvimento, como Brasil, Rússia, Índia e China, o número foi de 3,6% para 8,8% de todas as sucessões. As empresas são muitas vezes esquivas com os motivos da partida de um CEO e raramente dizem que ele foi "demitido". Trata-se de estratégia; dizem também que usam relatórios de notícias, fontes independentes e conhecimento sobre o terreno para decodificar a causa de cada mudança executiva.

"O aumento no número de CEOs afastados por questões éticas mostra uma tendência crecente entre as empresas de combater práticas que causem danos à sociedade e aos negócios. Empresas em todo o mundo estão reforçando suas práticas de governança e priorizabndo mercados onde os riscos são menores", afirmou Ivan de Souza, sócio da Strategy&.

Na natureza humana, vou por uma compreensão da humanidade como inspirada por Aristóteles. Os seres humanos têm potencial para a nobreza, mas não são nobres por instinto. Eles precisam (o que eu chamo em outro lugar) "ancoragem social". Eles precisam ser treinados, apoiados e guiados. Eles precisam ser governados. Não é no isolamento, mas em conjunto, que percebemos o nosso potencial. (Trevor Manuel, Deputy Chairman).

A ética como valor

CEO pesquisa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se alguém ainda tem dúvidas de como a ética, mais do que nunca, faz uma diferença hoje, nas empresas em geral, não importa o tamanho, veja o que aconteceu com os CEOs de empresas como Volkswagen, Toshiba, Takata, Lehman Brothers, Samsung, Petrobras, Odebrecht, entre tantas outras grandes multinacionais, quando elas se viram envolvidas em crises éticas, com o respaldo da diretoria.

O foco crescente dos legisladores, os níveis de consciência nunca vistos pelos membros do conselho e, claro, muita atenção dos stakeholders - sejam eles investidores ou repórteres -, fazem com que a ética desponte cada vez mais nas primeiras páginas dos jornais como um dos requisitos mais escrutinados atualmente. Todos esses fatores se combinam para garantir que a ética dos CEOs e demais executivos seja uma prioridade e até represente um "ativo" da empresa na avaliação do seu "capital reputacional".

O escorregão que derruba

Para o ex-diretor-executivo do Yahoo, Scott Thompson, foi um currículo incorreto, revelado por um acionista ativista, que inicialmente levou o conselho da empresa a cortar os laços com ele em 2012. Em 2015, o ex-CEO da United, Jeff Smisek, se separou da companhia aérea em conexão com uma sondagem federal sobre se ele tentou indevidamente influenciar funcionários da Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey. Recentemente, um erro da United, ao retirar à força um passageiro de um voo, nos Estados Unidos, sob o escrutínio implacável e global das redes sociais, arranhou a reputação da empresa e colocou em xeque o cargo do CEO, Oscar Munoz.

No ano passado, a LendingClub derrubou o fundador e CEO Renaud Laplanche, em meio a práticas de crédito e conflitos de interesse com o credor. Se parece que cada vez mais CEOs estão sendo “rifados”, entre erros éticos ou escândalos corporativos, eles estão mesmo. De acordo com um novo relatório sobre a sucessão de CEOs da Strategy&, empresas de consultoria estratégica da PwC, a porcentagem de CEOs sendo pressionada por comportamentos questionáveis - falhas, incluindo catástrofes ambientais, abuso de informações, fraude de currículos, escândalos contábeis e má conduta sexual – cresceu muito nos últimos cinco anos.

Globalmente, cerca de 31% das sucessões entre 2007 e 2011 foram por causa de demisões provocadas do CEO - seja por escândalos, falhas éticas ou típicos problemas de desempenho ou lutas de poder com o conselho. Nos últimos cinco anos, enquanto isso, esse número encolheu para apenas cerca de 20%. "Estamos passando por este período de limpeza onde você não pode mais esconder isso", disse Gary Neilson, diretor da Strategy&.

Neilson diz que o aumento das mudanças em questões éticas não é por causa de mais comportamentos negativos ou de mais escândalos corporativos. Na verdade, pode até haver menos, já que os conselhos se tornam mais focados no planejamento de sucessão e enfrentam um maior escrutínio dos investidores e do público. Mas pelo menos cinco fatores tornam menos possível os CEOs saírem ilesos por praticar um comportamento inescrupuloso na empresa, segundo o executivo.

Um deles é que o público tornou-se mais cético e menos indulgente quando se trata de um mau comportamento, e o protesto público dos consumidores, combinado com a ameaça de investidores ativistas, levou os conselhos a reagirem com mais frequência. A crise financeira "estimulou muita desconfiança, francamente", disse ele. "Com os ativistas, você, como membro do conselho diretor, não quer estar sujeito a eles. Se você não agir, alguém agirá por você", .

Isso é agravado por dois outros fatores: um mundo de comunicações digitais preparado para expor um comportamento ruim que poderia ter passado despercebido no passado, bem como um ciclo de notícias 24/7, que atua como um megafone, particularmente para histórias negativas que se incendiam nas mídias sociais. Com emails e mensagens de texto, Neilson disse que é mais comum para o “board” da empresa que "você tenha uma arma fumegante", diz o diretor. Ou seja, é um cargo sob permanente vigilância.

"Você não pode se esconder disso. E há uma enorme capacidade de notícias que talvez não tenham cumprido o rito do passado", de tempo e exaustiva apuração para serem publicadas. Hoje, quando o CEO acorda, seu nome pode estar na mídia, sem que ele sequer tivesse conhecimento que naquele dia a revelação ou vazamento de um fato negativo iria ocorrer. Muitas vezes, a reação, pela surpresa e o despreparo, é demorada e judicializada. Ou ele já está demitido, e não sabe.

Foto: Ian McPhail, presidente da Comissão de Reclamações Públicas Contra o GRC

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