
Quando o país naturaliza a morte, a crise já aconteceu
Armando Medeiros de Faria*
O Brasil convive diariamente com números que deveriam nos chocar. Mortes no trânsito, acidentes de trabalho, enchentes, deslizamentos, rompimentos de barragens, assassinatos. São dados que se acumulam em relatórios oficiais, manchetes de jornal e estatísticas públicas — e que, paradoxalmente, deixam de produzir espanto.
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Como seriam nossas vidas futuras de trabalho, passado o medo da pandemia e a necessidade de retomar as atividades normais. As discussões entre os jornalistas e especialistas em trabalho e em saúde certamente levam em conta o que os CEOs das empresas estão admitindo, quando a pandemia reduz a ameaça e já permite reuniões de várias pessoas. Esse o tema de reportagem publicada em 12 de novembro último, no New York Times: What Bosses really think about the future of the Office.
Em agosto de 2021, a revista americana The Atlantic publicou artigo denso da escritora e jornalista Anne Applebaum, sobre a cultura do cancelamento, um fenômeno que talvez seja um subproduto da Internet e das redes sociais, misturado com correntes de pensamento duma era de polarização de opiniões e da falta de perspectiva política em muitas democracias. De um lado, as pessoas perderam o escrúpulo de julgar os outros, não importa o ângulo que possa ser analisado e, de outro, os "novos tempos" não admitem mais certas ideias e costumes que há poucos anos passavam batidos, admitidos como naturais.
Em maio deste ano, um ataque de ‘ransomware’ à empresa Colonial Pipeline criou uma crise em cadeia, nos Estados Unidos. Para a empresa e a economia da região, principalmente para a costa leste do país. A Colonial é a maior empresa de oleoduto dos EUA. O colapso cibernético, na época, também significou uma séria ameaça ao abastecimento de combustível da costa Leste americana. O ataque a uma empresa estratégica na indústria energética suscita várias lições importantes para líderes empresariais, sobre como responder e gerenciar situações desse tipo de crise.
Em tempos de pandemia, as empresas podem se perder nas ações de comunicação. Elas estão tão desconfortáveis nesse cenário inusitado e imprevisível, que desdenham do principal instrumento para manter a fidelidade e a confiança dos stakeholders e voltar ao mercado com a reputação preservada. É certo que as empresas que não souberam se comunicar durante a pandemia, esqueceram os clientes, nos momentos mais cruciais da crise, dificilmente conseguirão ter uma relação amistosa ou fiel, quando o ‘novo normal’ voltar.
O atentado ao World Trade Center (WTC), em Nova York, completou 20 anos em 11 de setembro. Foi o maior ataque sofrido pelos Estados Unidos em solo pátrio, superando em número de vítimas o célebre bombardeio japonês a Pearl Harbour, que matou 2.403 americanos, em 1941, estopim para a entrada dos EUA na II Guerra Mundial. No WTC houve 2.996 vítimas fatais e mais de 6 mil feridos.
Passados 20 anos, muitas perguntas sobre o atentado continuam sem respostas, principalmente as que buscam entender como os EUA, tão preparado para ataques externos desde a Guerra Fria, permitiram que 19 terroristas se apossassem de quatro aviões e cometessem os atentados, sem qualquer tipo de reação. Até hoje, restos mortais de 1.106 vítimas do WTC não foram encontrados, o que não permitiu às famílias terem uma cerimônia de despedida.

Desastres naturais são considerados um ‘cluster’ de crise pela ONU. Eles respondem por inúmeras tragédias, em todo o mundo, sobre as quais, mesmo a prevenção, o nível de desenvolvimento de um país ou região e a tecnologia não são suficientes para prever e controlar com um nível adequado de segurança. Esses fenômenos são destruidores e letais, tanto para países desenvolvidos da Europa, Oceania e América do Norte, quanto para regiões pobres da África, Ásia e América Latina. E acontecem em qualquer época.









