barragem perigosaEmbora a paisagem atual do ambiente dos negócios seja volátil, principalmente num mundo em que os cenários mudam com uma rapidez incrível, há uma oportunidade de gerenciar o risco de maneira inteligente. O estado de prontidão de uma empresa para uma eventual crise pode afetar drasticamente os resultados e os benefícios, além de importantes para a reputação, podem ser materiais: um estudo mostra que as empresas percebidas como tendo respondido bem a uma crise experimentaram, em média, um ganho de 22% no valor das ações*. Em contraposição, empresas que tiveram crises graves sofreram imediato impacto no valor de mercado.

Essa conclusão consta no último relatório “Crisis Preparedness Trends 2019”, da empresa de auditoria PwC – PricewaterhouseCoopers, que contém dados preciosos para quem pretende levar a sério não apenas a gestão de crises, mas principalmente a gestão de riscos. O fato de uma empresa ter uma área de gestão de riscos pode significar pouco, numa crise grave. É preciso saber a qualidade dessa gestão, como ela estudou esses possíveis cenários negativos, como se preparou para a eventualidade de uma crise, como treina e prepara as equipes para enfrentar a situação.

“Em crise, as empresas precisam fundamentar sua resposta nos fatos - e obter o controle desses fatos rapidamente. No entanto, o déficit entre os dados que os líderes precisam para tomar decisões e os dados que eles realmente obtêm mal se alterou nos últimos dez anos.” Lamentavelmente, as empresas são muito conservadoras quando se trata de investir em treinamento de cenários de crises, porque, acreditam, são situações tão improváveis que elas não acreditam que um dia irá acontecer.

Temos um exemplo recente na tragédia de Brumadinho. A CPI Brumadinho, do Senado Federal, pretende indiciar nos próximos dias 14 pessoas, incluindo o ex-CEO, o diretor-executivo de Finanças e outros executivos da Vale, por crime (homicídio com dolo eventual), no acidente da barragem do Córrego do Feijão, em 25 de janeiro deste ano, que matou 246 pessoas e deixou, até agora, 24 desaparecidos. Várias versões têm surgido quanto ao que aconteceu naquele dia, principalmente o que causou o rompimento, se a empresa tinha detectado algo anormal na barragem nos dias precedentes. O que ainda não foi respondido é até que ponto havia uma gestão de riscos consistente, naquela barragem, para a possibilidade de rompimento? A tragédia envolve tantos fatores, que hoje, decorridos cinco meses da tragédia, não se encontrou a maioria das respostas.

Segundo o relatório da PwC, apesar de tudo que se fala sobre a importância da gestão de riscos, que evitaria em parte muitas crises, algumas perfeitamente administráveis, os executivos se ressentem das falhas nas análises e dimensão de cenários. Se não, vejamos: 87% dos CEOs afirmam que os dados sobre os riscos aos quais o negócio está exposto são críticos; no entanto, apenas 22% afirmam obter os dados de risco abrangentes de que precisam. O cenário do risco, portanto, não reflete a realidade. Como você pode fechar essa lacuna?

Cinco passos para a confiança na crise

Segundo a PwC, em vez de tentar se preparar para todos os possíveis cenários futuros, pergunte-se: quais são as três a cinco principais ameaças com as quais eu mais preciso me preocupar hoje? Existem formulários bem práticos, de análise de cenário, que perguntam: quais as três ou cinco piores crises que nossa empresa pode enfrentar, de uma hora para outra? Escolhidas as piores crises que você possa imaginar, vem a segunda pergunta. Estamos preparados para essa crise? Como a empresa enfrentaria essa situação. Alguns autores recomendam que, a rigor, não adianta muito imaginar crises que a organização já teve. Essas são conhecidas. Vale mais imaginar crises improváveis. Aquelas que nenhum executivo imaginaria que pudesse acontecer. Por acaso a Vale, em algum momento, imaginou uma tragédia das dimensões da ocorrida em Brumadinho, com tantas perdas humanas e o impacto ambiental da dimensão que aconteceu? Nenhuma mineradora no país ou no mundo provavelmente contemplou tragédia semelhante, nos piores cenários de treinamento. 

O relatório da PwC recomenda: “tenha uma estratégia para esses cenários de risco - apoiada em um manual de crises, uma equipe estratégica de resposta multifuncional e treinamento de força de trabalho. Então, se uma ameaça diferente prevalecer, você já terá desenvolvido a memória muscular e a coesão interna para lidar com isso de forma otimizada.”

“A confiança na crise e a memória muscular não podem ser obtidas por meio de caixinhas de verificação, não importa o quão robusto um plano seja no papel. É preciso uma preparação cuidadosa, um teste de estresse e um respeito saudável pelo inesperado.” O que a consultoria quer dizer é que o plano de risco deve ser realista. De nada adianta simular cenários completamente dissociados da realidade. Como, por exemplo, fazer treinamentos simulados com 10 a 20% do que realmente poderia acontecer. Um acidente com perdas de vidas humanas é uma das piores tragédias que pode acontecer para qualquer empresa, principalmente se essa empresa tiver ações na bolsa de valores. Como consertar um acidente com vítimas fatais? Muito difícil. No próximo artigo, vamos ver os cinco passos recomendados pela PwC para aumentar a confiança na hora da crise.

Nota da Vale S. A. sobre o relatório final da CPI do Senado

A Vale respeitosamente discorda da sugestão de indiciamento de funcionários e executivos da companhia, conforme proposto no relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado Federal

O relatório recomenda os indiciamentos de forma verticalizada, com base em cargos ocupados em todos os níveis da empresa. A Vale considera fundamental que haja uma conclusão pericial, técnica e científica sobre as causas do rompimento da barragem B1 antes que sejam apontadas responsabilidades.

A Vale e seus empregados permanecerão colaborando ativamente com todas as autoridades competentes e com órgãos que apuram as circunstâncias do rompimento.

*Fonte: Knight/Pretty

Ameaças para 2019 - Fonte PwC 

                                                                                                                                                    

Ameacas para 2019

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outros artigos sobre o tema

Faltou gestão de riscos à ciclovia que desabou no Rio

O atentado de 11 de setembro e a gestão de riscos

Riscos para serem monitorados em 2014

O Facebook minimizou risco de crise

Redes Sociais

 redetwiter redeface redeflick  redelinkedin

bannerbotton livro