Acidente_tam1Não bastasse a maior tragédia aérea da América Latina, uma série de trapalhadas da empresa aérea e do governo agravam uma crise que parece não ter fim. Depois da entrevista em que o principal dirigente da TAM tentou minimizar a possibilidade de qualquer problema com o avião, sem ainda qualquer tipo de diagnóstico, e inocentar a Infraero de culpa quanto às condições da pista, a empresa deu a quarta versão sobre o número de passageiros. Na última sexta-feira (20) apareceu mais um passageiro morto, o 187º. O funcionário da TAM teria embarcado sem fazer check-in. Quer dizer: a empresa realmente não sabia quantas pessoas viajavam no avião, daí a irritante demora em divulgar a lista na noite do acidente.

Segundo fontes não oficiais, o número de passageiros autorizados para aquele tipo de avião pela ANAC seria de 174 pessoas, o que significa 13 passageiros a mais no vôo. Até agora não surgiu uma explicação convincente para esse desencontro de informações. Mas esse é apenas um detalhe em meio a tanta informação desencontrada e, às vezes, mal-intencionada que pretende mais confundir do que esclarecer.

Enquanto isso, no governo, a série de trapalhadas continua. Depois do flagrante do assessor especial da presidência
e de um outro assessor fazendo gestos obscenos captados pela câmera da TV Globo, a revista Veja mostra fotos de funcionários da Infraero rindo horas depois do acidente, quando assistiam ao trabalho de resgate da beira da pista de Congonhas. O assessor especial distribuiu uma nota que serviu mais para irritar políticos, parentes e amigos das vítimas do que para amenizar a crise.

O Comando da Aeronáutica também não entendeu o triste momento que vive o país. Manteve a cerimônia de condecoração da Medalha do mérito Santos Dumont e teve a coragem de condecorar dirigentes da ANAC pela “grande contribuição” prestada ao transporte aéreo. A imprensa, comentaristas e a opinião pública perguntam: que contribuição? Até agora, ao que se sabe, a única contribuição foi para as empresas aéreas que pressionam e conseguem manter e ampliar rotas, sem poder atendê-las, em desrespeito total aos passageiros. Chegamos ao ponto de comemorar quando um avião sai com uma ou duas horas de atraso. O que era exceção há alguns anos, virou rotina no caos que as empresas aéreas e os órgãos reguladores transformaram o transporte aéreo nacional.

Resultado: as medidas tomadas no calor do acidente pretendem dar uma resposta à sociedade, mas estão longe de apontar para a solução dos problemas. Esse é o tipo de crise que exige respostas rápidas, completas, duras. Como diz Jack Welch, no livro Paixão por vencer: “quase nenhuma crise termina sem sangue no chão”. Pena que até agora o único sangue que ficou no chão foi das quase 200 vítimas do desastre. (JJF)

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