O Brasil, desde novembro, está assistindo o desenrolar de um dos maiores escândalos financeiros da história do país: o crescimento vertiginoso, para não dizer escandaloso, e a também a queda do Banco Master. O banco de investimentos fundado pelo empresário Daniel Volcaro há pouco mais de 8 anos. Segundo a jornalista Consuelo Dieguez, em reportagem publicada este mês na revista Piauí (1), “ o banco Master nasceu, cresceu, pintou e bordou debaixo do nariz do economista Roberto Campos Neto, que presidiu o BC de fevereiro de 2019 a dezembro de 2024. O Master pedia autorização para atuar no mercado desde 2017, mas durante a presidência de Ilan Coldfajn, nunca conseguiu o sinal verde. Em 2019, sob a administração de Campos Neto, Vorcaro chegou lá. A licença causou alguma surpresa, já que, entre os critérios para autorizar um banqueiro no mercado, está a exigência de “reputação ilibada”. Ou seja, o que a reportagem da revista Piauí esclarece é que o passado de Daniel Vorcaro não recomendaria receber uma licença para administrar um banco, porque em Minas Gerais, entre 2010 e 2017, ele teria dado golpes no mercado imobiliário e participado de um esquema que aplicou um golpe em institutos de pensão públicos. Ou seja, a licença para ter um banco era totalmente inadequada para quem não tinha tradição no mercado e ainda carregava um “passado que me condena”. (1)
Desde o dia da liquidação do banco pelo Bacen, em 18/11/25, a novela ou o escândalo do Banco Master, não para de nos surpreender. Além do prejuízo aplicado aos investidores, que confiavam suas economias a bancos, corretoras de renome e bancos de investimento, que aplicavam esses recursos nos polpudos títulos do Master, sob o argumento de que o Fundo Garantidor de Crédito (2) garantia aplicações até 250 mil, a vida do principal executivo Daniel Vorcaro e a história pregressa do Master começou a ser melhor conhecida. Principalmente pela diversidade e cacife dos seus contatos: políticos, influenciadores, advogados, economistas, membros do Poder Judiciário e até aventureiros. Mas também ostentação e sinais de riqueza pouco adequados para quem deveria passar uma imagem de sobriedade, como CEO de uma instituição financeira. E não a de “bon vivant” e perdulário, como aparece agora nas apurações do escândalo do banco. Pode-se dizer que Volcaro não economizou o dinheiro dos aplicadores do banco Master. A ostentação começava pela propriedade de três aviões modernos: um jato Gulfstream G700 que teria custado R$ 538 milhões (US$ 100 milhões). Além de mais dois aviões, ao preço médio de R$ 60 milhões cada um. Para que três aviões? Só se explicaria para fazer média com personalidades, políticos, influencers ou outras pessoas de sua relação que não se acanhavam em pegar carona.
Essa ostentação se mostrava também em festas, viagens ao exterior e eventos patrocinados por ele em lugares exóticos. Na festa de noivado com a modelo e empresaria Martha Graeff, uma das extravagâncias foi a contratação do conjunto musical Cold Play por 11 milhões de dólares (R$ 60 milhões). A festa na Sicília (Itália), com dezenas de convidados e atrações artísticas, segundo apurou a mídia, teria custado cerca de US$ 41 milhões R$ 220 milhões), o que deveria ter chamado atenção da mídia e das autoridades fiscalizadoras do sistema financeiro.
Certamente essas extravagâncias de Vorcaro, como festas com celebridades e convidados exclusivos, inclusive no exterior, caronas a políticos e influencers, bem como as relações dele com figuras ilustres da República, não eram realizadas em segredo. A pergunta que não quer calar é por que a mídia, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o Banco Central, o COAF, a Receita Federal não perceberam que esse “banqueiro” de araque, além de exibicionista, transitava com total desenvoltura pelo poder (leia-se Praça dos Três poderes em Brasília), ao mesmo tempo em que seu banco oferecia aplicações bem acima às oferecidas por concorrentes, acumulando ativos de bilhões de reais que foram sendo dilapidados pela má gestão, megalomania, incompetência ou fraudes do principal gestor? Na medida em que os fatos relacionados ao Master vão sendo desvendados, percebe-se a forma errática, deslumbrada e irresponsável da gestão do banco por Volcaro e todos os que com ele se participavam do banco.
Quantos investidores desavisados tiveram suas economias aplicadas no banco Master, acima de R$ 250 mil, e certamente perderam a parcela que excedia esse valor? Até porque os bancos, intermediadores desses investimentos, em geral, não detalham a destinação da aplicação, informando apenas que o investidor havia aplicado num CDB ou em LCA com “excelente taxa”, como certamente acontecia com o Master. A propósito, alguns bancos de primeira linha, classificados como “A” no ranking da gestão de riscos, não sugeriam títulos do Master para os clientes. Alguma razão deveria existir.
Milhares de investidores foram vítimas dessa atuação predatória ao mercado, tendo suas economias aplicadas com elevado risco. Naturalmente, essa aplicação resultaa em lucro também para os bancos aplicadores. Estes não precisaram do FGC. Será que um olhar mais atento para os passos do titular do banco Master, suas movimentações financeiras, a ostensiva vida de festas e o convívio com celebridades pela imprensa não teria evitado que mais de um milhão de investidores caíssem nessa armadilha?
O que pode acontecer
Daniel Vorcaro está preso pela segunda vez numa penitenciária federal, em Brasília. Os investigadores da PF e da PGR irão focar na investigação dos crimes financeiros de Vorcaro, antes de investigar políticos, isto porque o vazamento de informações do celular do banqueiro – que haviam sido compartilhadas com a CPI do INSS – causou desconforto entre esses investigadores. A divulgação antecipada de nomes de possíveis investigados pode resultar ate mesmo na destruição de provas, dizem policiais da PF. “Com a prisão da cúpula do Master e outros envolvidos, começou a autópsia pública do que talvez seja, nas palavras do ministro da Fazenda, “a maior fraude bancária da história do país.” (3) "O conteúdo (do celular) provocou um terremoto que atravessa o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, impactando principalmente o STF.", segundo a Agência Pública
Não há dúvidas de que o caso Master se transformou num tema de interesse nacional, não apenas por causa do prejuízo causado a investidores e ao Fundo Garantidor de Crédito, da ordem de R$ 60 bilhões. Mas porque a verdadeira história do banco, começa agora a ser revelada, a partir das degravações do telefone do titular. Não apenas a CPI do INSS irá abrir essa caixa de pandora. Agentes da Polícia Federal estão debruçados há meses sobre o material coletado e degravado. A CPI também vai analisar essas informações. Mas CPI, em geral, produz muito ‘holofote’ para os membros e muito pouco de material investigativo. Lembram da CPI da Covid? No que resultou? Ao serem reveladas, as informações poderão comprometer muita gente que até agora tenta se esquivar de ter convivido e negociado com o banqueiro. Como o governador de Brasília, que forçou a barra para o BRB adquirir o banco no ano passado, quando os boatos negativos sobre o Master já circulavam no meio financeiro. Volcaro confirmou em depoimento que conversou e visitou o governador de Brasília. Ibaneis Rocha diz que não conversaram sobre os problemas do banco Master. Se alguém acredita nisso, provavelmente conversaram sobre o Flamengo, patrocínio também inexplicável do BRB a um clube do Rio de Janeiro.
Ligações perigosas
As relações do BRB com o Master não ocorreram por uma visão de mercado dos executivos do banco de Brasília. Ao depor na PF, em dezembro passado, Vorcaro admitiu que tratou da negociação Master-BRB com o governador, pelo menos quatro vezes, embora Ibaneis negue. “Cercado por essa teia de influência de políticos, o BRB mergulhou de cabeça no desastroso projeto de salvar o Master” (4). Para se ter uma ideia dessa operação ‘Tabajara’, quando o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, “apareceu no BC com seu plano de compra, os técnicos da instituição se assustaram. “Tudo era muito amador”, disseram. O balanço do BRB era uma bagunça”, disse um analista do BC, que pediu para não ser identificado, à jornalista Consuelo Dieguez, da revista Piauí. A propósito do tema, reportagem da revista de março de 2026 traça uma verdadeira radiografia, ou autêntica dissecação do escândalo do Master, num denso artigo publicado no início do mês. (5)
Quem fiscalizava? Dois membros do conselho fiscal do BRB, Leonardo Roberto Oliveira de Vasconcelos e Celivaldo Elói Lima de Sousa, foram apadrinhados pelo governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e por um fundo da Reag Investimentos, investigada por operações suspeitas com o Banco Master. Quando o barco começou a afundar, os dois conselheiros pediram demissão.
Mas a entrada do BRB nesse redemoinho ocorreu um pouco antes. O BRB começou a comprar carteiras do Master em meados de 2024. Só entre janeiro e junho de 2025, o banco comprou do Master R$ 12,2 bilhões de créditos inexistentes, segundo a Polícia Federal. Alvos da PF, em 18 de novembro de 2025, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, também indicado por Ibaneis, foi afastado do cargo pela PF, e o dono do Master foi preso. (6)
Até a Câmara Legislativa de Brasília, onde Ibaneis tem maioria, caiu no canto de sereia do governador, do banqueiro e seus ‘advogados’. Em agosto de 2025, aprovou em regime de urgência proposta para o BRB adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das preferenciais do capital social do Banco Master. A orquestra da base do governo acabou entrando na tempestade do Governador. O Conselho de administração do banco, imediatamente, também aprovou. Agora se sabe que no conselho estava um membro que havia comprado açøes do BRB pouco tempo antes, sendo ele ligado ao governador do DF. A transação BRB-Master só não foi concluída, porque houve uma forte reação do mercado e da população de Brasília. Mas a pá de cal foi dada pelo Banco Central, que barrou a compra em setembro de 2025, por identificar riscos elevados e inconsistências nos ativos do Master, incompatíveis com o perfil do BRB. O Banco Central salvou o paciente, mas mesmo assim não conseguiu salvar por completo. A compra do Master não foi concretizada porque o Banco Central liquidou o Master, pouco antes do acordo, em novembro de 2025. Mas, mesmo assim, o que não se soube na época é que o BRB havia comprado de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master, com ativos superfaturados ou inexistentes. Isso só se descobriu depois do estouro do escândalo, o que colaborou para a demissão do presidente do BRB, Paulo H. Costa, como se ele tivesse tomado essa decisão à revelia da diretoria, do Conselho de administração e do próprio governador. Rombo que, agora, Ibaneis quer cobrir com patrimônio imobiliário do DF, provocando forte reação da oposição e de ambientalistas. Incluindo uma área de 12 mil hectares, na chamada Serrinha do Paranoá, apontada pelos ambientalistas como uma importante manancial hídrico da capital e da região Centro-Oeste.
Sobre o papel do Banco Central no imbróglio do Master, o doutor em economia e escritor Eduardo Giannetti, disse numa entrevista ao Jornal O Estado de S. Paulo, “O BC passou no teste de fogo, que foi impedir a venda do Master para o BRB, com uma pressão avassaladora vinda do legislativo e do Judiciário. Sem falar na do governador do DF. O BC mostrou uma firmeza e uma independência que fazem justiça a sua função. Sai arranhado agora, no momento em que nós temos essa evidncia de que possivelmente um diretor de fiscalização foi conivente e conseguiu, por algum tempo, mascarar a gravidade do problema financeiro que o banco vinha enfrentando”.
Contrato milionário leva escândalo para o STF
Como hoje nada fica escondido muito tempo, na hora em que se abriu o balaio de crises do Master, apareceu um contrato com um escritório de advocacia de Brasília. O contrato talvez não tivesse caído nos holofotes, a não ser pelo fato de pertencer å esposa de um ministro do STF, pelo valor exorbitante dos honorários advocatícios e até por ter-se omitido desde o ano passado em dar qualquer explicação sobre essa contratação, quando a notícia veio à tona.
No meio jurídico, há um consenso de que o contrato do banco Master com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pelo valor de R$129 milhões, por três anos, ou seja, R$ 3,5 milhões mensais, ultrapassa todos os parâmetros de consultoria de advogados no Brasil.
O detalhe é que esse escritório pertence à esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, advogada Viviane Barci de Moraes. Informação que veio à tona depois da liquidação do banco. A polêmica não se limitou ao surpreendente valor do contrato, mas sobre o papel do escritório no episódio da liquidação e como atuou na assessoria e na defesa do banqueiro Daniel Vorcaro. Principalmente pela proximidade da titular com um ministro do STF, onde o processo também transita. Como tudo que diz respeito ao banco Master passou a ser olhado com lupa pela mídia, por políticos da oposição e pelo mercado financeiro, são naturais os questionamentos sobre esse contrato. Além disso, após a prisão e quebra do sigilo do telefone de Volcaro, vieram à tona novos indícios de contato entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro, na época da liquidação. Se o clima no STF já estava tenso, por causa das relações de irmãos do ministro Dias Toffoli com sócios de um empreendimento no Paraná, a notícia do contrato colocou mais lenha na fogueira.
Quase quatro meses passados da liquidação do Master, e diante da pressão sobre os ministros do STF, o escritório de advocacia divulgou uma nota à imprensa, em 7 de março, dando detalhes do contrato. (7) “A explicação, porém, tem lacunas e incongruências, segundo advogados experientes e acadêmicos do Direito ouvidos pela BBC News Brasil. Para os entrevistados, as tarefas executadas no atendimento ao Master, segundo a nota do escritório, não condizem com os altos valores divulgados sobre o contrato.” (8) Ou seja, elementos não faltam nesse ‘case’ para uma longa investigação que ninguém sabe no que pode dar.
O maior escândalo bancário
Até a liquidação do banco Master, em função de o banco ter entrado no “modo crise”, pouco se sabia sobre as aventuras do dono do banco, Daniel Vorcaro. Ele era figura famosa não apenas na Faria Lima, em S. Paulo, a rua que administra boa parte do PIB financeiro do Brasil, mas principalmente pela influência que tinha com banqueiros, políticos e famosos “influenciadores”. Basta dizer que o próprio Vorcaro contratou “desenfluenciadores” para atacar a reputação do Banco Central, por ter decretado a liquidação do banco. Uma tentativa meio desesperada de salvar o banco. Ficou claro para o mercado que essa turma estava paga pelos gestores do Master. Mal sabiam eles, na ocasião, que mais tarde iria se comprovar que dois executivos do Banco Central estavam na “folha” do Vorcaro, dando aula ao banqueiro de como se comportar nas audiências com o próprio Banco Central. E que, ao contrário do que insinuavam, o BC deveria ter intervido bem antes de o paciente estar em estado terminal, como aconteceu e como ressalta a reportagem de Consuelo Diegues, da revista Piauí.
O escândalo do Master, à medida que as investigações avançam e os segredos do celular do banqueiro vão sendo desvendados já se consagra como co maior escândalo da indústria bancaria brasileira. Mesmo quando cotejado com o passado, quando vários bancos foram liquidados, num período de crise econômica, antes e depois da implantação da do Real, como moeda nacional. Naquele período, ficaram pelo caminho marcas fortes do mercado financeiro: Bamerindus, Banco Econômico, Banco Nacional; Cruzeiro do Sul; Banorte; Banco Santos, para citar alguns.
Essa crise está longe de terminar. E pode comprometer muitas autoridades dos poderes da República. Pesquisa recente da empresa Meio/Ideia sobre a percepção pública do caso Master mostra que o STF é a instituição mais associada ao escândalo: 35% citam a Corte, ante 21% que apontam o governo federal e 18% o Congresso. Para 70%, a credibilidade do Supremo já está abalada pelo episódio, e 44% dizem que a defesa de impeachment de ministros da Corte aumentará a chance de votar num candidato ao Senado.” (Vera Magalhães). Como diz a jornalista Vera Magalhaes, em artigo sobre a percepção do escândalo, apurada em pesquisa: “Crises institucionais prolongadas e generalizadas raramente produzem vencedores claros. Em geral, deixam como saldo o enfraquecimento difuso das instituições, exatamente o cenário de que o país menos precisa às vésperas de uma disputa presidencial.”
À guisa de Conclusão
Cabe perguntar por que o Bacen relutou tanto em intervir ou liquidar o banco Master? Por que a CVM, a quem compete fiscalizar o mercado de ações, ficou omissa nesse tremendo imbróglio, mesmo envolvendo um banco com ações no mercado? Chegou a hora de a mídia também fazer um mea culpa por ter deixado esse mostro criar corpo, avançar sobre milhares de pessoas, com expectativas de ganho fácil; sob o beneplácito de muitos bancos que também estavam faturando alto com as aplicações. O que falta descobrir como se chegou a esse nível está por trás desse escândalo, que está longe de terminar.
(1) “A Contaminação. O Banco Master e a desmoralização da República”. Revista Piauí 233, fevereiro de 2026, pag. 14.
(2) O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma instituição privada e sem fins lucrativos que protege depositantes e investidores, devolvendo até R$ 250 mil por CPF/CNPJ e por instituição financeira em caso de falência ou intervenção do banco. Ele garante produtos de renda fixa como poupança, CDB, LCI e LCA.
(3) “A Contaminação. O Banco Master e a desmoralização da República, Revista Piauí 233, fevereiro de 2026, pág. 14.
(4) Idem, idem, pág 16.
(5) Idem, idem, pág 14.
(6) Não bastassem os desvarios cometidos pelo ex-presidente do BRB, Paulo H. Costa, o BRB divulgou que ele deixou uma dívida não paga no banco, no valor de R$ 799 mil. Muito estranho, quando se sabe que funcionários dos bancos têm linhas de crédito especiais e sempre os empréstimos são descontados na conta corrente, no dia do pagamento.
(7) Veja a nota do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados na íntegra.
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