
A Copa do Mundo não é nossa: discriminação, racismo e mercantilismo
Quatro anos passam rápido. O Brasil se preparou para aquele tradicional período em que, de norte a sul, muita gente começa a curtir o clima de Copa do Mundo e, naturalmente, da seleção brasileira de futebol, como favorita para ganhar mais um título. Aquele clima de “Pra frente Brasil”... Não é o caso agora. O grupo de jogadores convocados pelo técnico Carlo Ancelotti em sua maioria não joga no Brasil e alguns nunca jogaram. Foram direto para usufruir dos cofres cheios das equipes da Liga dos Campeões da Europa ou para outros países, com salários bem superiores aos pagos no Brasil. “Como a grande maioria deixa o país muito cedo para se formar sob a lógica europeia, o torcedor perdeu a convivência e a criação de memórias afetivas com seus craques.” Quem diz é a psicóloga e escritora Ana Paula Hornos, em artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 13 de junho de 2026.
Entre 2014 e 2017, o Brasil carregou o estigma de abrigar o maior esquema de corrupção do mundo. Havia um símbolo para essa marca negativa na imagem do país, até porque ela era também a síntese do que vinha acontecendo com outras empresas públicas e privadas nos últimos anos. Esse símbolo se localizava na Avenida Chile, no Rio. “A crise da Petrobras” acabou entrando para a história como o divisor de águas do combate à corrupção no País, por conta da chamada "Operação Lava Jato"*, que levou ao desmonte (ou pelo menos à denúncia) de um esquema com tentáculos em empreiteiras, casas de câmbio, nas estatais e subsidiárias. Certamente, nunca na nossa história um esquema tão sofisticado e organizado de malfeitos destruiu uma empresa pública ou privada, como aconteceu durante a administração petista na Petrobras.
Francisco Viana*
Um conhecido e criativo publicitário escreveu no jornal Folha de São Paulo um sedutor artigo dizendo da imperativa necessidade do profissional de comunicação viajar e fazer networks. Claro, viajar é preciso para conhecer novas culturas. E os contatos são imprescindíveis para os projetos, vitais para a profissão de comunicador.
Nem bem o País conseguiu assimilar a tragédia de Brumadinho, incêndio no alojamento do CT do Flamengo, no Rio de Janeiro, tira a vida de 10 adolescentes, reféns de instalações de alto risco que não tinham licença para funcionar.
A triste rotina de acidentes graves que poderiam ser evitados se repetiu nesta sexta-feira, 8 de janeiro, no Rio de Janeiro. A morte de 10 adolescentes, entre 14 e 16 anos, é a crônica da crise anunciada. Eles dormiam em contêineres, adaptados para quartos. Cada cômodo tinha um aparelho de ar refrigerado. Confinados ali, quando o incêndio começou, quem acordou ainda teve alguma chance de se salvar. Mas já se admite que a maioria dos 10 garotos que morreram, nem chegaram a acordar, intoxicados por uma fumaça preta, altamente tóxica, emanada das paredes dos contêiners. A tragédia só não foi maior, porque muitos atletas foram dispensados e resolveram dormir em casa. Mesmo assim, 26 jovens estavam nos alojamentos no dia da tragédia.
O Brasil começou 2019 com uma das maiores crises corporativas dos últimos anos, com o rompimento da barragem de Brumadinho. O tamanho dessa crise ainda não foi dimensionado, mas apenas pelas perdas humanas, pode-se classificá-la como a maior tragédia do país, junto com o incêndio do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, em 1961, com mais de 500 mortos (70% crianças) e com o desastre dos deslizamentos no Rio de Janeiro, em 2011, que deixou mais de mil mortos.
O jornal britânico The Sunday Times publicou editorial, neste domingo, questionando o poder do Facebook e até que ponto os conteúdos da big rede estão contribuindo para aumentar a taxa de suicídio, principalmente de jovens, no Reino Unido. Não é de hoje que vários países da Europa estão de olho nos gigantes da Internet, além do Facebook, o Google e outras redes poderosas, não apenas pelo uso do conteúdo, que contém dados de milhões de pessoas, quanto pela forma de negócio.
Brumadinho-MG. 25/01/19. Três anos depois, a repetição da tragédia da Samarco chegou como se fosse uma lava de vulcão, arrastando e matando mais de 200 pessoas, em poucos minutos.
Passados três anos da tragédia da Mineradora Samarco, que arrasou povoados de Mariana, após o rompimento da barragem de Bento Rodrigues, deixando um mar de lama, um grande rio poluído e 19 mortos, ninguém, nem a mineradora Vale, poderia supor a repetição desse pesadelo. Mas aconteceu. E com dimensão pior do que aquela que envolveu a mineradora Samarco, principalmente pelo número de vítimas fatais.









