Não bastasse o pesadelo das multidões nas ruas, no dia 15 de março, pressionando o governo por mudanças, não bastasse o Congresso se dar ares de seriedade, sob o comando de Eduardo Cunha e Renan Calheiros (santa ironia ter esses dois personagens como símbolos da moralidade), não bastasse a crise com o ministro da Educação, a semana terminou só com notícias ruins para o Planalto.

Além da prisão do verdadeiro “homem bomba” da operação Lavajato, o ex-diretor da Petrobras, Renato Duque, também o tesoureiro do PT foi denunciado pelo Ministério Público, por ter recebido recursos para o partido provenientes de propina, segundo depoimentos de presos, beneficiados por delação premiada. O tesoureiro tem escorregado desde o início da operação, mas vários depoimentos prestados à Justiça mostram as digitais de Vaccari nos dutos de dinheiro das propinas que escorriam da Petrobras. O humor do governo chegou no limite e os desmentidos do presidente do PT beiram o patético.

Segundo Mauro Paulino, diretor do Datafolha, "O governo perdeu a batalha da opinião pública. Não consegue responder de maneira adequada àqueles que representa". Num momento de crise, o pior que pode acontecer a um líder é perder a confiança dos seus constituintes. Pesquisas publicadas na semana mostram que apenas 13% dos brasileiros consideram positiva a gestão da presidente, com apenas 80 dias de governo. 

O primeiro passo para enfrentar a crise é tentar reconquistar a confiança dos brasileiros. Difícil, porque os fatos não ajudam, a comunicação do governo é claudicante e a porta-voz age como se fosse dona da verdade. A presidente nas entrevistas e discursos mais parece aquela professora ranzinza que passa um pito nos alunos a cada observação.

Os grandes líderes nas crises, recomendam os especialistas, devem ser humildes, corajosos, convincentes, autênticos e afáveis. O combate à crise poderia começar por aí. Fazer convescote oficial com dinheiro público, convocando o truculento e radical Stédile, com seu exército de destruidores do patrimônio alheio como claque para reverter a baixa popularidade, foi apenas o que faltava para coroar mais uma semana de erros e tropeços que não contribuíram para amenizar a crise.

Para piorar o humor do Planalto, este fim de semana foi publicada pesquisa em que 84% da população brasileira acreditam que a presidente sabia de corrupção dentro da Petrobras. Ou seja, de cada 10 brasileiros, 8 consideram, portanto, a presidente omissa nesse escândalo. Pode-se até admitir que a pesquisa foi embalada pelo momento extremamente negativo que o governo enfrenta. Mas são números muito expressivos para serem desprezados. Não devemos esquecer que a opinião pública se constrói de percepções. E, como diz o autor de livros de Crisis Managemet, Steven Fink, "É uma lei imutável que na batalha campal entre percepção e realidade, a percepção sempre vence".  

Entrevista ao Jornal da CBN

Dilma precisa recuperar a confiança da população para superar a crise

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