A “Organicom”, Revista Brasileira de Comunicação Organizacional e Relações Públicas, da Universidade de São Paulo (USP), publicou o dossiê “Risco e Crise: reflexões sobre a gestão da comunicação organizacional na sociedade de riscos”. São 13 capítulos com diferentes temas ligados à Gestão de Riscos, além de uma entrevista "Gestão da comunicação de crise na sociedade de riscos: desafios e perspectivas na visão de W. Timothy Coombs", um dos maiores especialistas em Gestão de crises, no mundo; professor e autor de livros clássicos sobre Crisis Management, com destaque para The Handbook of Crisis Communication, de 2010, com várias edições; e um dos pioneiros no estudo desse tema do ponto de vista teórico, principalmente da comunicação de crise. A entrevista foi feita pelo Professor doutor em Comunicação, da Universidade Federal de Santa Maria, Jones Machado.
Além dos vários artigos, na revista consta também depoimento do professor João José Forni, sobre como a gestão de riscos começou a ser parte integrante do processo de gestão de crises. Onde e quando o tema gestão de crises passou a ser considerado uma competência fundamental para os gestores, de modo a se tornar também pauta da governança das empresas?
Aumento do risco abriu caminho para a gestão de crises
Quando se fala em gestão de crises, atualmente, está implícito que se trata de um tema que diz respeito à gestão da empresa. Não é possível pensar em fazer gestão de crises, sem gestão de riscos; sem o tema estar alinhado com o 'compliance' da organização; com a auditoria; com a continuidade dos negócios. Uma boa gestão de crises decorre de um trabalho anterior, baseado na prevenção, na preparação, no mapeamento dos riscos. Mas nem sempre foi assim. A demanda por gerenciar as crises corporativas, ainda nos anos 1990, principalmente no Brasil, era direcionada à comunicação, no entendimento de que o fato negativo era uma ameaça à reputação e não aos negócios, ao resultrado, ao futuro da empresa.
Demorou para se entender que a gestão de riscos e de crise deveria ser também parte integrante do processo de resposta nas crises. Estudos de diversos autores, ainda nos anos 1980, avançaram para o entendimento de que as crises deveriam ser encaradas como eventos que fazem parte da natureza das organizações, cuja gestão, portanto, seria uma demanda atribuída aos gestores, competência imprescindível que deveria envolver a governança das empresas. O histórico das crises e a prática mostravam também que a maioria dos eventos negativos decorriam de má administração ou erros de gestão. Daí por que a gestão de crises e de riscos se tornou um tema indispensável nos diversos conselhos empresariais, principalmente das grandes empresas.
O artigo faz parte do dossiê da USP, recentemente publicado.
Entrevista com o professor W. Timothy Coombs, pelo Prof. Jones Machado.
Gestão da Comunicação de crise na sociedade de riscos: desafios e perspectivas
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Gestão da comunicação de crise na sociedade de riscos: desafios e perspectivas
Crisis Readiness in the AI Era: W. Timothy Coombs on Cancel Culture & Communication

