Costa_Concordia_dozeInferno astral é pouco. Este ano começou muito mal para a empresa italiana de cruzeiros marítimos Costa Cruzeiros. Após as trapalhadas e gracinhas do capitão fujão do navio Costa Concordia, que saiu da rota e naufragou no litoral da ilha italiana de Giglio, no Mar Mediterrâneo, agora o problema é com o navio Costa Allegra.

O Costa Allegra, com 636 passageiros, navegava no Oceano Índico, próximo a Madagascar, dia 26, quando houve um incêndio na casa de máquinas. Embora sem vítimas pessoais, o navio não teve mais condições de navegar. Ficou à deriva.

O incêndio no Costa Allegra, com oito pontes e 399 camarotes, aconteceu um mês e meio depois do naufrágio do Costa Concordia, que deixou um balanço de 25 mortos e sete desaparecidos. Até hoje o imenso navio continua semi-submerso, como um ícone do fracasso do capitão e permanente lembrança da crise que se abateu sobre a empresa Costa Cruzeiros.

Sem mortes e sem energia

O gerador elétrico do Costa Allegra foi atingido, levando a supor que as condições de conforto do navio também estão comprometidas. Mas até agora não houve comunicado oficial esclarecedor da empresa sobre a real situação no navio. São comunicados e posts lacônicos colocados nas redes sociais.

Na quarta-feira, está prevista a chegada de um helicóptero para fornecer ao Costa Allegra cerca de 400 lanternas e pão, já que a bordo, sem energia elétrica, não é possível produzir este alimento de primeira necessidade.

Informa a nota da empresa: "Além disso, graças à chegada de um pequeno gerador levado por um navio da marinha militar presente no local para a assistência, está sendo feito o possível para tornar mais confortável a situação a bordo e assim poder reativar de modo intermitente algum dispositivo".

Sabe-se apenas que o Allegra está sendo rebocado por um navio de pesca de bandeira francesa para Mahe no arquipélago de Seychelles. A chegada está programada para sábado, 1º de março. 

O jornalista Steve Goldstein, do site PR News, procurou nas redes sociais mais explicações sobre o que realmente está acontecendo no navio. Em vão. A empresa Costa Cruzeiros parece ter naufragado também na comunicação. Se não, vejamos o que comenta Goldstein.

“Porque é que o navio está sendo rebocado? Perdeu  toda a potência dos motores? Existe energia elétrica (e ar condicionado) para os 636 passageiros a bordo? Antes de dar um pulo nos sites de notícias, vamos à página do Facebook da Costa Cruzeiros e à conta do Twitter para obter respostas da própria empresa. 

“Há uma declaração sobre o incêndio de 27 de fevereiro, mas não informações claras de como isso afetou a sala de máquinas do navio. Houve outro post oficial na página do Facebook da Costa Cruzeiros de que navios estavam navegando em direção a Allegra, mas nenhuma razão dada por que - nem qualquer declaração sobre o estado da sala de máquinas ou da eletricidade a bordo do navio.  

“Em 28 de fevereiro houve uma longa declaração padrão sobre prevenção de incêndios nos navios da Costa Cruzeiros, mas zero de toque humano, zero de informações relevantes sobre o porquê do Allegra precisar ser rebocado e qual era a situação dos passageiros.

“Mais tarde, em 28 de fevereiro, veio um comunicado explicando que o plano original de rebocar o navio para Desroches Island não estava sendo feito, devido a problemas na amarração (rebocador) e que, em vez disso, o navio iria ser rebocado para o arquipélago das Seychelles.

“Mas por que o navio precisa ser rebocado, e quais são as condições reais no Allegra? Isto foi o mais próximo que se poderia chegar a uma resposta do comunicado oficial: "Helicópteros irão garantir o fornecimento contínuo de alimentos e itens de conforto, a fim de atenuar o desconforto dos hóspedes, dadas as difíceis condições a bordo" Quão difíceis são as condições?

“Outra declaração veio via Twitter e Facebook de que outros navios chegaram para prestar assistência e que "graças à chegada de um pequeno gerador entregue por um navio da Marinha local, que está presente no local, a tripulação do navio está fazendo todo o possível para tornar a situação em bordo mais confortável, tentando restabelecer os serviços básicos.

“Os serviços básicos estão desativados, fora do ar? Quais são esses serviços básicos? Assim também, qual o nível de conforto dos passageiros? Onde está a declaração oficial de que o navio não pode andar por seus próprios meios, a ponto de ser rebocado? Realmente, não existe energia em todo o navio? (se isso é realmente o caso)? Para preencher essas lacunas cruciais, é preciso recorrer a outras fontes.

“A Costa Cruzeiros parece ser incapaz de contar sua própria história. Neste tipo de crise, a organização deveria operar como uma agências de notícias e deveria contar a história completa, como acontece, principalmente  após o seu trágico primeiro mês do ano”.

Os equívocos da empresa Costa Cruzeiros na comunicação também ocorreram em relação ao naufrágio anterior, em janeiro, conforme comentamos neste site: “Tragédia do Costa Concordia expõe falhas primárias de gestão de crises”. Além da vergonha de o capitão ter abandonado o navio, enquanto centenas de passageiros ainda estavam à bordo, e do pito que levou do Comandante da Guarda Costeira italiana, (vada a bordo!), a empresa proprietária sempre foi lenta nos comunicados oficiais. Ou seja, estava e continua muito despreparada para gerenciar as sucessivas crises.

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