internet_invasaoO Egito foi o primeiro país alvo de protestos a perceber e temer a força da internet. No auge das manifestações na Praça Tahrir, o ditador Hosni Mubarak comandou o silêncio virtual do Egito, ao determinar o corte pelo menos em 88% dos serviços de conexão do país. A intervenção do governo egípcio foi tão violenta que surpreendeu os serviços de monitoramento mundial da rede. A ação inusitada aconteceu pela primeira vez na história da web.

O Egito apenas repetiu, em dose mais pesada, o que países como China, Tunísia, Irã e Tailândia já haviam feito em outros protestos por democracia. O Egito cortou logo o acesso ao Facebook e ao Twitter, para isolar as pessoas e impossibilitar contatos em rede. Antes dos protestos no Egito, o mundo só conhecia um país onde a repressão à internet tinha sido tão violenta: a Coreia do Norte.

Nas últimas semanas, tivemos também o exemplo de Kadaffi. Não satisfeito em reprimir as manifestações, ferindo e matando opositores, cortou também o acesso à internet da população da Líbia. Isolados, os manifestantes continuam tentando furar o bloqueio, por meio do Facebook e do Twitter. Os ditadores, portanto, se outorgaram, agora, a prerrogativa de comandar a rede, decidindo quem, quando e onde os cidadãos poderão manter-se conectados com o resto do mundo. Para quem pensava a internet como um território sem fronteiras, o cenário não parece tão promissor.

É tão fácil derrubar a rede?

Os exemplos de Egito, Tunísia, Líbia, Irã, China e outros países alvos de protestos contra o regime vigente mostram como é fácil regimes de força silenciarem a população. E num meio virtual que se pensava estar imune à intervenção radical dos ditadores. Para isso, facilita principalmente quando há complacência das empresas telefônicas e o mercado de consumidores ainda é bastante incipiente, sem força econômica. No caso do Egito, 20 milhões de pessoas ficaram sem acesso, por decisão do governo. Lá, o controle da rede mundial está na mão de quatro grandes empresas.

Especialistas admitem que os mercados imaturos, com poucos produtores, tendem a aceitar esses cortes da Internet mais facilmente. O controle também tem relação com a topografia do país e com a força ou capacidade do sinal, geralmente,  nesses países, bastante fraca. “Se você tem um mercado de telecomunicações, relativamente diversificado, e uma topologia de Internet muito entrelaçada, então é muito mais difícil interferir do que nos modelos onde o país tem uma estrutura de telecomunicações tradicional, no padrão de duas décadas atrás, e onde os governos controlam todas as ligações internacionais. Obviamente, isso cria um ponto de estrangulamento", diz Daniel Karrenberg, cientista-chefe da RIPE NCC.

Parece claro, na visão desses cientistas e pesquisadores, que, a despeito da rápida transformação da web durante sua curta história, ao proporcionar uma liberdade de expressão sem precedentes, a internet ainda mostra muitos pontos vulneráveis, que podem ser explorados por governantes inescrupulosos ou por interesses comerciais.

Apesar de alguns países imporem restrições ao uso da internet, nenhum foi tão drástico na censura quanto o Egito e agora a Líbia. O mais próximo precedente tem sido a China, com um número muito elevado de internautas, mas também um controle absoluto, principalmente em relação aos estrangeiros. A China é capaz de cortar a internet por longos períodos, em certas regiões, se perceber algum movimento de oposição, como aconteceu em Xinjiang, em 2009.

Ao analisar o que aconteceu no Egito e na Líbia nas últimas semanas, os especialistas dizem que “a resiliência da internet em qualquer país, em particular, também depende da diversidade dos seus provedores internacionais e das rotas, dentro e fora do país.

Jim Cowie, diretor-chefe de tecnologia da empresa de monitoramento de internet Renesys, afirmou à Reuters que, na ponta oposta de modelos de internet como os do Egito e da Líbia, estão países com alta dispersão de conexões internacionais. “Nos EUA você tem cada suporte global disponível para você, você tem múltiplos cabos interconectados, ou seja, tem um país que efetivamente não pode ser desconectado da internet”.

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