AIG_-_bandeirtAs crises financeiras estiveram nas principais manchetes do ano passado. Relatório divulgado pelo Institute for Crisis Management-ICM, dos EUA, com análise das crises publicadas na mídia mundial, durante 2008, mostra que houve um incremento na cobertura da notícias negativas em oito das 16 categorias do ranking ICM, com destaque para crimes financeiros, ineficiência na administração e violência no local de trabalho.

A tempestade na economia mostrou as fragilidades dos grandes grupos: fraude do megainvestidor Madoff, quebra da GM e da AIG, uma das maiores seguradoras do mundo, junto com vários bancos.  Desastres naturais, atentados, defeitos em produtos e recall, quebras de empresas, queda nas bolsas e crescimento no número de processos sobre meio ambiente marcaram também o cenário de crise de 2008. Como diz o investidor Warren Buffet, “quando a maré baixa, é que se vê quem estava tomando banho nu”.

A crise do subprime nos EUA, que começou no último quadrimestre de 2007, marcou o ano de 2008 e contaminou as economias globais, em efeito cascata. O Grupo Citigroup cortou 53 mil empregados e o Bank of América eliminou 30 mil postos de trabalho. Nos EUA, a cadeia Starbuck fechou 600 lojas, a Disney 98 e a Good Year 92.  Aqui no Brasil, a Vale e outras grandes empresas anunciaram demissões e o crescimento econômico decresceu, em função da desaceleração no ritmo dos negócios. A OIT calcula que esta crise acabará com mais de 30 milhões de postos de trabalho no mundo.

O relatório registra a fraude de 7,2 bilhões de euros no banco francês Sociète Generale, além de sérios problemas com as indústrias de brinquedos e de laticínios.  Alimentos em conserva contaminaram consumidores nos Estados Unidos. Na China, 53 mil crianças adoeceram por causa do fórmulas de alimentos envenenados. A Topps Meat Co. tinha 60 anos de existência e depois de um recall em produtos contaminados, a empresa teve que fechar. O Center for Disease Control data, dos EUA, contabilizou 371 mil hospitalizações e 5.700 mortes por contaminação alimentar em 2008.

Várias indústrias no setor de brinquedos enfrentaram crises em 2008, sendo obrigadas a fazer recall, inclusive no Brasil. Brinquedos contaminados deram prejuízo não só aos importadores no Ocidente, como na China, que teve 3.600 fábricas fechadas e milhares de empregos perdidos.

As maiores crises

Bancos, indústria alimentícia, seguradoras, indústria do petróleo, fábricas de automóveis, empresas farmacêuticas, empresas de software, indústria aeronáutica e telecomunicações foram os setores que lideraram as crises, no levantamento do ICM.

De maneira geral, na avaliação do percentual de crescimento das categorias de crises ocorridas em 2008, o perfil não mudou muito em relação ao ano anterior: crimes de colarinho branco (17%), violência no local de trabalho (17%), disputas trabalhistas (11%), falhas e ineficiência administrativa (10%), prejuízos materiais (10%), acidentes fatais (9%), ações judiciais (5%). Os demais itens, como protestos de consumidor, defeitos e recall, concordatas e falências, crimes de meio ambiente, discriminação, dispensa de executivos e denúncia de funcionários ficaram de 4% para baixo.

Praticamente não se alterou o índice das crises (smoldering crisis)  que são previsíveis e dão sinais antes de acontecer (64% do total), e as (sudden crisis) crises que chegam de surpresa (36%), em 2008. Esse dado desmistifica a idéia de que a maioria das crises quase sempre chega de surpresa. O que ocorre é a organização não atentar para problemas potenciais que existem ou não acompanhar pela imprensa situações que podem evoluir e se transformar em crises.

Segundo Larry Smith, principal executivo do ICM, dois terços das smoldering crisis poderiam ser previstas e, portanto, evitadas. “É aquela espécie de problema que poderia ser descoberto e corrigido antes que ele se torne grande e fora de controle. Isso vale para a maioria das quebras de empresas e bancos, ocorridas nos últimos meses”.

A indústria aérea também foi bastante afetada em 2008, com pelo menos seis acidentes com aviões comerciais de grande porte, matando entre 50 e 160 pessoas.  Operadores de navios, ônibus, ferries e trens, empregados, clientes e investigadores desses acidentes também tiveram um ano muito difícil.

O item que se refere à violência nos locais de trabalho, com alto índice de ocorrência, conforme o relatório, não tem muitos exemplos no Brasil. É uma crise típica dos países desenvolvidos, principalmente por conta de atentados em locais públicos.  Cidadãos comuns, estudantes, aparentemente inofensivos, têm um distúrbio qualquer e resolvem atirar nos colegas e professores. Um item que impacta o relatório, mas não chega a ser uma crise no Brasil. Os serviços de segurança também atuam com muita vigilância para evitar atentados terroristas.

Entre as empresas que apareceram no topo das crises em 2008, pela ordem, Madoff Investments, Boeing, Sociète Generale, General Motors, Shijiazuang Sanlu Grp., Exxon Mobile, Bear Stearns, Microsoft, AIG e Lehman Brothers. A Microsoft, ao mesmo tempo em que aparece no ranking das melhores empresas do mundo, continua a figurar também no topo da lista das empresas com crise.

Em resumo, segundo o ICM, não se pode deixar de considerar o impacto das redes sociais e da internet para essas crises. As histórias correm rapidamente na rede mundial e forçam as empresas a terem posição também muito rápida na mídia.  A média global de crises pesquisadas pelo ICM manteve-se no mesmo patamar de 2005 a 2008, cerca de 10. 260 casos por ano. Em comparação com 2007, cresceu 3,62 o número de ocorrências de crises na mídia global.

Redes Sociais

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