importacoes A decisão do governo de impor, sem comunicação adequada, a exigência de licenciamento prévio para liberar importações de vários produtos, tomada dia 26 de janeiro, acabou gerando uma crise, com reação de empresários e até de governos do Mercosul. A imprensa classificou a operação como “barbeiragem”, termo que teria saído do Ministério da Fazenda. Alguém acredita que essa medida foi tomada sem o conhecimento daquele ministério?   

O ministro da Fazenda, após a repercussão negativa, e diante da pressão de empresários, procurou capitalizar a solução do problema, como se tivesse sido surpreendido. Para a opinião pública, o ônus da medida acabou nas mãos do Ministério do Desenvolvimento, porque os técnicos teriam publicado a exigência no Siscomex, sem conhecimento dos ministros e sem dar a devida publicidade à decisão.

O recuo três dias depois, foi o reconhecimento de que o efeito do remédio foi exagerado. A necessidade de licença prévia teria sido uma espécie de operação tapa-buraco do governo diante dos números da balança comercial. Mas admitir que os técnicos e o próprio ministro do Desenvolvimento tomaram a decisão sem a participação da Fazenda é versão que não cola para quem conhece os bastidores do poder em Brasília. É muito comum no governo fazer de conta que não sabia.

Até a imprensa embarcou nessa versão. O jornal Valor Econômico afirmou: “Técnicos do Ministério do Desenvolvimento anteciparam-se, porém, às decisões dos ministros.” A revista Veja foi mais longe. Além de atribuir a decisão ao “sub do Ministério do Desenvolvimento”, afirmou em editorial, com ares de verdade absoluta, que “o ministro viajante (Miguel Jorge) não foi informado, o da Fazenda tomou conhecimento pelos jornais”. A revista Carta Capital foi pelo mesmo caminho. Bobagem. Algum técnico teria autonomia e ousadia para publicar semelhante decisão – sabendo das consequências - sem que os ministros soubessem? Claro que não. Como deu errado, é melhor procurar culpados no andar de baixo.  

O que houve realmente foi a falta de avaliação pelo governo (leia-se Fazenda, MDIC), dos impactos da medida antes de anunciá-la. Foi também um grande problema de comunicação, levando até a mídia a embarcar na versão errada de que a decisão apressada foi dos técnicos.

Acertada a medida, meio que no desespero, faltou avisar a Secom, para que preparasse um bom esquema de divulgação, com justificativas razoáveis e alerta sobre os problemas que iria acarretar. Isso se chama transparência. O que teria pelo menos amenizado a gritaria dos empresários e a repercussão negativa do ato. A divulgação antecipada funcionaria também como um pré-teste para a reação dos empresários.

Quando se descobriu que a emenda tinha ficado pior do que o soneto, com acusações de protecionismo, mais o entrave às importações, a Fazenda tentou tirar o corpo fora, como se dissesse: “não tenho nada a ver com isso”! Tentar agora jogar a culpa nos técnicos do MDIC é apenas repetição do que tem acontecido em outros episódios do governo. As autoridades não assumem que erraram e a imprensa embarca na primeira versão que aparece. Nesse pacto de meias-verdades ou faz-de-conta-que-não-é-comigo, quem perde é a opinião pública.

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