crise A crise que atinge as economias globais entrou com força nas redações. Jornais, canais de TV, conglomerados de mídia, todos estão sentindo os efeitos da queda na atividade produtiva e, por conseqüência, no faturamento publicitário. A indústria de jornais do Reino Unido espera um ano austero em 2009. A receita de publicidade deve cair 21% no próximo ano, segundo relatórios do setor.

Tanto nos sites noticiosos, quanto nos jornais, os cortes nas principais publicações da Europa foram intensificados. O Financial Times cortou 60 vagas em outubro. O jornal The Guardian, que mantém um site exclusivo sobre mídia, chegou a criar um time line, com o retrospecto dos cortes de pessoal realizados nas empresas de comunicação nos últimos meses. Esse processo, entretanto, não começou agora. Pelo menos desde o início do semestre as empresas de comunicação vêm fazendo ajustes na estrutura. Em julho, o grupo BSkyB, o maior conglomerado britânico de TV a Cabo, cortou 250 empregados. O Channel 4, um dos maiores canais de TV, cortou 150 empregos. O grupo Independent News and Media anunciou o corte de um quinto de seu staff, cerca de 90 jornalistas do quadro atual.

A escalada da crise está fazendo os proprietários de empresas de mídia olharem o ano de 2009 com uma perspectiva muito pessimista.  Alguns grupos estão também abandonando projetos de novas publicações ou reformas nas atuais. O conglomerado britânico Virgin anunciou milhares de cortes nas últimas semanas. Em todas as publicações do grupo, as demissões podem chegar a 4 mil profissionais.  Isso se deve aos cortes nas verbas publicitárias, de que os jornais são mais suceptíveis e pelo movimento em direção à publicidade on line, ainda mais barata do que a tradicional. Isso implica perda de verba para as mídias tradicionais, como jornais, tevê e rádio.

O cenário é tão negativo, que os especialistas da área comercial prevêem pelo menos cinco anos de queda, em todas as mídias. “O impacto da crise será devastador”, diz um proprietário de jornal.

A consultoria de mídia Enders Analysis prevê que os anúncios classificados da imprensa regional cairão de 1,8 bilhão de libras no último ano para 992 milhões de libras por volta de 2012, um declínio colossal, diz James Robinson, no The Observer. Especialistas prevêem que o faturamento de TV caia dos 3,4 bilhões de libras, em 2007, para 2,8 bilhões em 2010 até começar a recuperação lentamente, apesar do fato de que mais pessoas estejam, mais do que nunca, assistindo tevê.

Para racionalizar custos, diante da grave situação, alguns grupos de mídia resolveram se associar e se juntar num único endereço, com o objetivo de economizar com instalações. O Independent e o Independente Sunday, que fazem parte do grupo Independent News & Media-INM irão transferir as redações para o edifício sede do grupo Associated Newspaper em Londres. A Associated Newspaper edita cinco jornais. Os dois grupos vão compartilhar vários serviços e atividades. Somente a administração e  a área comercial permanecerão separadas. A fusão chegou alguns dias depois do grupo ter anunciado o corte de 90 jornalistas dos vários títulos de publicações do grupo Independent. Isso irá proporcionar uma grande economia, segundo os proprietários.

Mas a mídia está apenas refletindo o que está acontecendo em todas as áreas de trabalho. A situação do mercado de trabalho no mundo é sombria, segundo a Organização Internacional do Trabalho-OIT. Até o fim do próximo ano, a organização calcula que serão cortadas 20 milhões de vagas. Para se ter uma idéia, somente o Citigroup anuncia corte de 52 mil postos. O colunista James Robinson, do The Observer, de Londres, faz até uma brincadeira no título do artigo publicado em 16 de novembro: uma indústria em dificuldades, sim. Mas não é o apocalipse.

Os americanos estão sendo até inovadores nos cortes. Para não dizer revolucionários. Segundo reportagem publicada no The New York Times, em 29 de novembro, um pequeno jornal de Pasadena, na Califórnia, perto de Los Angeles, demitiu os sete empregados que lhe custavam US$ 2.800 por mês. Eles simplesmente foram substituídos por indianos, que passaram a fazer o jornal com base em informações colhidas por telefones, e-mail ou press-releases, vivendo na Índia, sem nunca terem ido aos Estados Unidos. Custo dessa brincadeira: para cada mil palavras, US$ 7,50.

No início do mês, o grupo Tribune, dono dos jornais americanos Los Angeles Times e Chicago Tribune - dois grandes jornais dos EUA - entrou com pedido de concordata. Essa opção é conseqüência da queda de vendas e da publicidade que afeta a mídia americana neste ano. O Tribune é um dos principais grupos de mídia dos EUA, com 12 jornais e 23 estações de TV. Foi fundado em 1847. O problema tem origem também em dívidas de US$ 1 bilhão, correspondente a juros que vencem este ano.

Na esteira do Tribune, o The New York Times pretende conseguir recursos de US$ 225 milhões, dando como garantia o prédio do jornal, em Manhattan. Nem os gigantes escapam da crise.

No Brasil, por enquanto o movimento nas redações tem sido normal. Nenhuma associação detectou alterações significativas nos quadros da imprensa, mas é certo que as receitas de publicidade cairão, em função da redução da atividade produtiva. Com receitas de publicidade em queda, as empresas de comunicação fatalmente terão que fazer ajustes.

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