Leitura_de_jornaisNão foi uma decisão fácil. Em Madison, pequena cidade do interior de Wisconsin (EUA), o jornal The Capital Times, fundado há 90 anos, no fervor da I Guerra Mundial, deixou de ser impresso e agora só terá uma edição diária na internet. Manterá apenas uma revista semanal impressa e um guia de Madison.

A direção estava impressionada com a queda da tiragem de 40 mil exemplares, na década de 60, para 18 mil exemplares atualmente. O principal executivo do jornal justificou a medida extrema pela queda da tiragem e porque essa é uma tendência futura, mais cedo ou mais tarde.

Todo mundo sabe que as tiragens dos jornais estão caindo. É um fenômeno que ocorre no mundo todo e fica dramático na medida em que a internet avança. A maioria, entretanto, também se nega a anunciar o fim das publicações impressas. Tem gente que está se antecipando.

Isso não parece ser uma variável apenas na pequena Madison.  A circulação de jornais impressos caiu 3,6 por cento nos Estados Unidos segundos números divulgados pelo Audit Bureau of Circulations, que compara os seis meses anteriores, até março de 2008 com o mesmo período do ano passado. Isso, segundo especialistas, reflete uma migração dos leitores para a Internet e esforços das editoras em modernizar seus negócios.

A circulação paga em dias úteis dos 25 principais jornais dos Estados Unidos caiu, apesar de alguns diários, incluindo o USA Today e o The Wall Street Journal terem registrado aumentos de menos de 1 por cento. A circulação em dias úteis do The New York Times  caiu 3,85 por cento enquanto o Los Angeles Times  sofreu redução de 5,13 por cento.
O The New York Post, que pertence à News Corporation apresentou queda de 3,07 por cento. A circulação geral de domingo caiu 4,6 por cento. O The New York Times e o New York Daily tiveram queda de mais de 9 por cento na circulação no primeiro dia da semana. Outros jornais menores viram a circulação dominical despencar 12 por cento.

No caso de Madison, a decisão radical implicou naturalmente demissões de jornalistas mais antigos e contratação de outros profissionais para incrementar o site do jornal. É a lei do mercado.  Ele será focado mais na área cultural e de entretenimento.

James L. Baughman, diretor da Universidade de Wisconsin, diz que “se há uma janela de oportunidades para os jornais na web, ela é local”. E justifica que a saída para o Capital Times sobreviver é a versão online.
Mas a decisão de migrar para o online necessariamente implica reinventar o cor business e a própria audiência do jornal. Significa uma mudança cultural muito grande.

Na contramão de tudo isso, o principal periódico espanhol, El País, segundo o próprio jornal, registra o melhor dado da história em abril, com 2 milhões 336 mil leitores, crescimento de 5% sobre o terceiro semestre de 2007. Desde abril do ano passado, o crescimento é de 11,3%, segundo dados do Estúdio Geral de Médios (EGM).

Em 2007, somou 237 mil novos leitores e incrementou sua distância frente aos competidores. Registra 941 mil leitores mais do que o segundo diário (El Mundo). E onde o jornal cresceu? A expansão se deu entre as mulheres (6,4%) e entre os jovens de 14 a 19 anos (7%), o que pode ser até uma surpresa, considerando ser o público mais fiel à internet.  A idade média dos leitores do El País é a mais baixa entre os diários de informação geral pagos.

A radiografia da imprensa escrita americana, que pode ser projetada para a maioria dos países, leva os executivos da mídia a fazer a seguinte pergunta: poderá a mídia impressa sobreviver à internet? Sob pressão de uma economia vacilante, os jornais buscam alternativas no mundo online, assistindo a revoada de leitores para a internet.

Embora incerto e perigoso esse cenário, no dizer de Steve Lohr, do New York Times, a mídia americana cita o exemplo do I.D.G., o maior grupo de revistas e jornais de tecnologia do mundo, que publica Computerworld, InfoWorld, PC World, Macworld and CIO, entre outras. A lucrativa migração para a internet fez o faturamento on line superar o das publicações impressas. O fundador e presidente do I.D.G., Patrick J. McGovern afirma que a boa notícia para os editores “é que há vida depois da era da impressão, uma vida melhor“, dando a entender que, apesar de demorar anos para ter lucro, a migração representou um bom negócio, desde abril do ano passado quando a última edição impressa da Infoworld foi publicada.

Brasil

No Brasil, pelo menos no ano passado a tendência foi diferente. Segundo dados da ANJ – Associação Nacional de Jornais, os principais jornais aumentaram em 11,8% a circulação entre 2006 e 2007, passando de 7,230 milhões para 8,083 milhões, o melhor desempenho nos últimos 14 anos. Os dados são do IVC e representam uma média de cerca de 80% superior à alta registrada em 2006, de 6,5%.

A Folha de São Paulo (302.595), seguido de O Globo (289.329) e do Extra  (273.560) são os jornais de maior circulação média em 2007. 65% dos leitores de jornais encontram-se entre 15 e 44 anos, sendo a maior fatia (24%) entre os de idade entre 15 e 24 anos, o que é uma grande surpresa também.

Para o mercado, o fator principal que impulsionou as vendas da mídia impressa foi a expansão dos chamados jornais “populares”. Extra e Super Notícia, este o mais novo jornal “popular” de Minas Gerais, assumiram o topo do ranking, passando outros concorrentes tradicionais para trás. O jornal Super Notícia já figura entre os cinco primeiros em tiragem. Está atrás apenas da Folha de S. Paulo, O Globo, Extra e Estadão. Em outubro de 2007, chegou a bater o recorde de tiragem, com 302 mil exemplares diários, superando a Folha. Na média anual, ele é atualmente o 5º jornal brasileiro em tiragem, ocupando o lugar que foi de Zero Hora. O resultado desse jornal em Minas Gerais é surpreendente, porque a tiragem média diária do principal jornal mineiro não passava de 90 mil exemplares.

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