Os 97 jornais filiados ao Instituto Verificador de Circulação (IVC) registraram aumento de 1,5% na circulação no primeiro quadrimestre de 2010, em comparação com igual período de 2009. Num período em que jornais do mundo todo, com exceção apenas da Alemanha, amargam um período de vacas magras, é supreendente o crescimento dos jornais brasileiros. A circulação dos jornais americanos caiu 8,6% entre outubro de 2009 e março de 2010.

No Brasil, a média de circulação foi de 4,3 milhões de exemplares por dia, superando o índice de outubro de 2008, antes, portanto, da crise econômica. O crescimento atual vem depois de uma pequena queda registrada no ano passado. Convenhamos que para a a população brasileira é ainda um número vergonhoso. Mas pelo menos o setor tem alguma coisa para comemorar.

O crescimento não esconde os problemas da mídia impressa, inclusive no Brasil. O aumento na tiragem nos jornais nacionais se deve ao sucesso dos chamados jornais populares, de preço baixo. Eles se valeram de um período de aumento da renda entre as camadas C, D e E da população e aproveitaram para investir em qualidade. Esse crescimento compensa a queda na circulação dos chamados jornalões. Na maioria deles, há queda de tiragem, inclusive no maior do país, a Folha de S. Paulo.

Durante o Congresso Mega Brasil de Comunicação, realizado entre 25 e 28 de maio, em São Paulo, foi também abordado o futuro da mídia impressa. A imprensa estaria se negando a admitir que tem sério problemas, segundo analistas. Existe ainda um espaço para o jornalismo impresso, mas não nos moldes até agora adotados. Ao perder o poder da intermediação, que sempre foi uma prerrogativa do jornalismo, desde a criação dos primeiros jornais, o jornalismo impresso entra em crise. Qualquer cidadão pode-se transformar em editor e causar um estrago tremento em reputações pessoais ou corporativas.

Estudo critica jornais americanos

Relatório divulgado neste mês pela Associação Alemã de Companhias Jornalísticas e publicado no New York Times atribui a queda de circulação dos jornais americanos a problemas estruturais nas publicações daquele país.

“Enquanto a maioria dos jornais alemães têm como proprietários famílias ou outras empresas pequenas com raízes locais, a indústria americana é dominada por companhias abertas. Diante da pressão dos acionistas, pedindo resultados de curto prazo, os jornais americanos fizeram cortes temerários na qualidade editorial e de produção, acelerando a migração dos leitores e anunciantes para a internet”, diz o relatório alemão.

A circulação de jornais diários nos EUA caiu 27% de 1998 a 2008. Na Alemanha a queda foi de 19%. Enquanto pouco menos da metade dos americanos leem jornais, mais de 70% dos alemães o fazem. Enquanto a receita de jornais tem decrescido nos EUA, ela se mantém estável na Alemanha desde 2004. Alguma coisa, portanto está errada nos Estados Unidos e em outros países.

O relatório da Associação alemã avalia que, ao invés de focar no jornalismo, “os diários americanos fizeram investimentos pouco prudentes em novas mídias, e aumentaram os danos entregando seu conteúdo de graça na internet.” Esse é outro ponto de discórdia da mídia internacional. Enquanto Rupert Murdoch, o todo poderoso controlador do Grupo News Corporation (Fox, 20th Century Fox, Sky, The Times, The Wall Street Journal) defende a cobrança de todo conteúdo online, o que já vem fazendo no The Wall Street Journal e no Times de Londres, grandes jornais de prestígio internacional, como New York Times, El País e Washington Post ainda não entraram num consenso sobre a cobrança. O NYT sinalizou que irá cobrar por conteúdos a partir de janeiro de 2011, mas não definiu como será feito.

Nesta semana a mídia publicou informações sobre o jornal Arkansas Democrat-Gazette, de Little Rock, capital do Arkansas (EUA) que na contramão do setor de mídia americano teve sua circulação aumentada na ultima década. Desde 2001, ele cobra pelo conteúdo online. Num período de dez anos, entre 1998 e 2008, a circulação cresceu de 173.316 exemplares para 176.275 na média diária. Embora a evolução tenha sido pequena, não deixa de ser uma grande notícia registrar aumento de leitores quando dos 24 grandes jornais dos EUA, 23 pelo menos tiveram a circulação reduzida.

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