internet_no_trabalhoAcredite. As mesmas empresas que ajudaram a disseminar a internet, o e-mail e as facilidades do computador, agora estão preocupadas com o tempo que o empregado gasta on line. Celulares e mensagens instantâneas, além da leitura do e-mail, estão desviando a atenção e prejudicando a produtividade.

Algumas das maiores empresas de tecnologia, incluindo Microsoft, Intel, Google e IBM, estão juntas na luta contra o excesso de informação. Artigo de Matt Richtel no The New York Times anuncia que elas formaram um grupo não-lucrativo para estudar o problema e desenvolver maneiras de ajudar os empregados – de suas e de outras empresas – a lidar com a “tempestade” de tecnologia.

A mesma tecnologia que veio acelerar a produtividade e facilitar a vida do cidadão, paradoxalmente, se volta contra as empresas. Por isso, o esforço das gigantes se justifica em uma evidência estatística de que as mesmas ferramentas tecnológicas que levam a um aumento de produtividade, podem também ser contra-produtivas, se usadas em excesso.

A  Intel, por exemplo, descobriu em estudo interno durante oito meses que alguns empregados, encorajados a limitar interrupções digitais, ficaram mais produtivos e criativos. Por isso, junto com outras empresas, está encorajando os empregados a checarem e-mail menos freqüentemente e a mandar mensagens só quando for necessário.

O Google, como sempre, sai na frente. Segundo o autor, um engenheiro do Google criou um programa experimental para o serviço de e-mail das empresas, o e-mail Addict, que deixa as pessoas “apagarem” suas caixas de entrada por 15 minutos. Ele literalmente tira você do ar durante períodos de 15 minutos.

Jonathan Spira, chefe analista na firma de pesquisa Basex e membro do novo grupo, disse que as empresas descobriram que enfrentavam um monstro criado por elas mesmas.  Ele mencionou uma máxima do Vale do Silício de que as companhias deveriam “comer a comida dos seus cachorros”, significando que eles deveriam utilizar suas próprias inovações.

Embora para muitas pessoas possa ser desagradável enfrentar interrupções contínuas, os dados que apareceram na pesquisa foram surpreendentes.

Segundo o artigo de Richtel, um típico  empregado da área de informação que senta em frente ao computador o dia todo entra em seu programa de e-mail mais de 50 vezes e usa mensagens instantâneas 77 vezes, de acordo com uma medição feita pela Rescue Time, empresa que analisa hábitos no computador. A empresa, que levanta os dados de 40 mil pessoas e tem um software de rastreamento em seus computadores, descobriu que, em média, um trabalhador também pára em 40 websites no curso do dia.

Segundo Matt Richtell, a atenção fragmentada tem um custo. Nos Estados Unidos, mais de U$ 650 bilhões por ano são perdidos na produtividade por causa de interrupções desnecessárias, predominantemente por razões irrelevantes, de acordo com a Basex. A firma diz que grande parte deste custo vem do tempo em que as pessoas demoram para se recuperar de uma interrupção e voltar ao trabalho.

As empresas também estão percebendo que podem economizar ajudando as pessoas a reduzir o vício digital. A maioria das corporações pelo mundo está procurando maneiras de prevenir que as ferramentas dos softwares se tornem distração, disse John Tang, um pesquisador da IBM.

“Existe uma vantagem competitiva em descobrir como se livrar desse problema”, disse John Tang. Para ele, existe um “certo quê de ironia” no fato de que as soluções estão vindo das mesmas empresas que construíram  o sistema digital em primeiro lugar.

Fora do grupo de trabalho, as companhias participantes como a IBM, já estão desenvolvendo maneiras de conter a “onda” digital. A Inglaterra discute há algum tempo uma maneira de as empresas controlar o uso do e-mail particular dos empregados, certa de que a prática interfere na produtividade.  Em março, a BBC publicou matéria  informando que apenas no Reino Unido 2 milhões de e-mails são enviados por minuto, ou seja, quase 3 bilhões por dia. E pergunta: qual o custo real dessa overdose? Diz a BBC que um terço dos empregados de hoje sofrem do stress do e-mail.

Surgiram até “doenças” relacionadas com a febre da internet. Um termo relativamente novo é “apnéia de email,” inventado pela escritora Linda Stone. São internautas que inconscientemente prendem a respiração, quando impactados pelo enorme volume de mensagens novas em suas caixas de entrada.

A Intel começou dois experimentos no ano passado com 300 engenheiros e outros empregados na unidade que fabrica chips em Austin. Em seu primeiro experimento, os empregados foram encorajados a limitar o contato digital e pessoal durante 4 horas nas manhãs das terças-feiras.

Eles foram estimulados a “dar um tempo” no uso dos e-mails. Mesmo aqueles que não conseguiram seguir as rotinas, reconheceram que começaram a enviar mensagens com mais cuidado e com hábitos mais conscientes. Em um teste, quase três quartos dos participantes disseram que a rotina do “quiet time” deveria ser estendida ao resto da empresa.

A receptividade “é enorme. Nós esperávamos menos” disse Nathan Zeldes, um engenheiro da Intel que conduziu os experimentos e que por décadas vem estudando o impacto da tecnologia na produtividade. “Quando as pessoas não são interrompidas, elas podem parar e desenvolver melhor os projetos e realmente pensar.”

Em uma outra experiência chamada “zero e-mail  nas sextas feiras”, o objetivo era encorajar os empregados a favorecer a comunicação interpessoal. O chefe disse que os empregados gostaram da idéia em teoria, mas eles continuaram a mandar mensagens de e-mail, por julgá-las essenciais. Apenas 30% dos empregados aprovaram o programa, mas 60% recomendaram-no usá-lo em larga escala, sugerindo modificações.

E no Brasil? Pesquisa realizada com 962 profissionais brasileiros em 2005 pela Tríade do Tempo, empresa especializada em gestão de tempo, mostrou que 22% dos entrevistados brasileiros gastam de duas a quatro horas por dia lendo e-mails e navegando pela internet, para fins profissionais ou não. Entre eles, 92% usam o tempo regular do expediente para essa tarefa. Mas esse é um tema para ser desenvolvido em outro artigo.

* Colaboração: João Paulo Forni.

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