
Relatório Anual de Crises de 2025 mostra crescimento das categorias cybercrime, má gestão e assédios
O ICM-Institute for Crisis Management, dos Estados Unidos - que há vários anos publica um Relatório Anual das principais crises corporativas no mundo – (1) registrou 1 milhão 232 mil notícias sobre crises em 2025, um aumento de 8% em relação a 2024. Mas, ainda significativamente abaixo do pico de quase dois milhões de casos registrados em 2023. As crises que dão sinais antes de acontecer (smoldering crises) (2) mantiveram sua posição histórica, representando 65% das notícias monitoradas, enquanto o cybercrime voltou a aparecer como a categoria com a maior proporção de notícias, ocupando um quarto do total das crises do ano. As crises repentinas (sudden crisis) representaram 35%. Várias categorias apresentaram variações surpreendentes, especialmente ações coletivas (*class actions lawsuits*), com percentual de 2,24% caiu para o menor nível; enquanto casos de assédio sexual (15,26%), tiveram um aumento fora do normal. Categoria esta que nunca apareceu com tanto destaque, em qualquer Relatório anterior.
Francisco Viana*
A realidade aponta para uma questão: O que é hoje comunicação? Como desdobramento, uma outra pergunta: qual é o papel do comunicador? Quando nos debruçamos sobre a quantidade de presos ilustres que se sucedem nos cárceres da Operação Lava Jato em Curitiba, a primeira pergunta é: para que serviam seus assessores de comunicação? Será que ninguém levantou a questão da vulnerabilidade – para usar uma palavra elegante – dos modelos de negócio ou de gestão da coisa pública? E, se levantou a questão, foi sequer remotamente ouvido?
Se alguém esperava que a semana passada fosse abafar a crise no Brasil e no exterior, errou feio. Agravado pela prisão de José Dirceu, o cenário político piorou. E com ele o cenário econômico não para de colecionar notícias ruins. A indústria que não deslancha. A inflação que continua já a perseguir os mais pobres. Além de uma contínua ameaça de crise institucional, em que não faltaram sequer notas de coluna especulando se Dilma teria rascunhado a “carta de renúncia”.

6 de agosto de 1945. Os Estados Unidos lançam a primeira Bomba Atômica em Hiroshima, no Japão, causando a morte de 140 mil pessoas. Quem não sabia o que seria o Apocalipse pôde ter uma ideia no momento em que o Enola Gay, avião bombardeiro B-29 americano, lançou o artefato sobre a cidade que estava amanhecendo. A partir daí, não apenas o Japão se rendeu, mas o mundo nunca mais foi o mesmo. Três dias depois, o mesmo inferno caiu sobre outra cidade japonesa, Nagasaki, com mais 74 mill mortes. Sem falar nas pessoas que morreram depois.
O país amanheceu ontem com as notícias que já se tornaram rotina de mais uma fase da Operação Lava Jato, nome dado pela Polícia Federal à investigação de um esquema de propinas na Petrobras. Ela começou em março de 2014, com a apuração sobre a compra pela estatal da usina Pasadena, nos EUA, e ontem entrou na 17a. fase.
Mas essa fase foi para as manchetes mais por causa da prisão do ex-ministro, ex-deputado e guru do PT, José Dirceu. Embora já se falasse na iminência da prisão dele, pelas várias menções de seu nome em depoimentos de envolvidos no escândalo da Petrobras, não deixou de ser emblemático que um dos símbolos do PT e sombra de todos os conchavos políticos dos últimos anos no país esteja novamente às voltas com ilicitudes.
O jornal britânico The Sunday Times deste domingo (2/8) dá um “furo” jornalístico, ao desvendar o que ele chama de “o segredo mais sujo” do esporte mundial. Dados secretos obtidos de 12 mil amostras de sangue de 5 mil atletas de eventos esportivos internacionais, entre eles as Olimpíadas, mostram que um terço das medalhas, incluindo 55 de ouro, foram ganhas em provas de resistência por competidores que tinham testes suspeitos de conterem substâncias que aumentavam a resistência e, por isso, proibidas. Mesmo assim, as autoridades até hoje não conseguiram tirar qualquer medalha dos atletas suspeitos.
Não passa uma semana sem que tenhamos notícia sobre alguma violação de dados feitas por hackers em grandes organizações, vulnerabilizando dados de milhões de clientes. E a falha de segurança no mais recente alvo aconteceu nos Sistemas de Saúde da Universidade da California-UCLA, em Los Angeles.









