
A Copa do Mundo não é nossa: discriminação, racismo e mercantilismo
Quatro anos passam rápido. O Brasil se preparou para aquele tradicional período em que, de norte a sul, muita gente começa a curtir o clima de Copa do Mundo e, naturalmente, da seleção brasileira de futebol, como favorita para ganhar mais um título. Aquele clima de “Pra frente Brasil”... Não é o caso agora. O grupo de jogadores convocados pelo técnico Carlo Ancelotti em sua maioria não joga no Brasil e alguns nunca jogaram. Foram direto para usufruir dos cofres cheios das equipes da Liga dos Campeões da Europa ou para outros países, com salários bem superiores aos pagos no Brasil. “Como a grande maioria deixa o país muito cedo para se formar sob a lógica europeia, o torcedor perdeu a convivência e a criação de memórias afetivas com seus craques.” Quem diz é a psicóloga e escritora Ana Paula Hornos, em artigo publicado no jornal “O Estado de São Paulo” de 13 de junho de 2026.
Não bastassem as crises que assolam o mundo, o drama dos refugiados; a guerra civil na Síria; a luta contra os terroristas; a queda no preço do petróleo; os escândalos de corrupção e o fracasso da economia no Brasil; a instabilidade do mercado chinês... Só faltava uma epidemia. Essa ameaça assombra vários países hoje, principalmente os mais pobres da América Latina, África e Ásia. Há pouco mais de um ano, era o Ebola. Assustava viajantes e castigava a África. Controlado este, o Zika vírus coloca governos, autoridades de saúde e milhares de pessoas de sobreaviso, principalmente aqueles que pretendem viajar para o Brasil ou América do Sul. A OMS declarou o Zika vírus caso de emergência de saúde pública mundial.
Não há nenhuma dúvida sobre isso - o ritmo da gestão de crises está crescendo cada vez mais rápido. A mídia tradicional deixou de ser o stakeholder mais importante nesse contexto. Com a velocidade da informação e a hegemonia das redes sociais, em muitos casos a mídia tem chegado atrasada ou se precipitado nas avaliações; demora a entender o problema; ou ainda maximiza acontecimentos negativos com foco mais na reputação da empresa ou dos governos, na marca, no impacto no valor de mercado, esquecendo o interesse direto da sociedade. No cenário atual, outros stakeholders têm um protagonismo nas crises superior ao da mídia.
*Francisco Viana
Cassio: Reputação, reputação, perdi minha reputação! Perdi a parte imortal, senhor, de mim mesmo – e o que resta é animal. Minha reputação!
Iago: Honestamente, pensei que havia recebido algum ferimento no corpo, que é bem mais grave do que na reputação. Reputação é uma invenção inútil e fabricada, muitas vezes conseguida sem mérito e perdida sem merecimento (…)
A sucessão de Notas que o Instituto Lula tem divulgado desde que surgiu e se agravou a denúncia sobre imóveis adquiridos ou usados pelo ex-presidente Lula, com o beneplácito de empreiteiras, é um exemplo clássico do que não se deve fazer ante uma ameaça de crise.
O Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, atacou as universidades de ponta do Reino Unido por falharem em selecionar mais estudantes negros, dizendo que o racismo nas instituições líderes do Reino Unido “deveria envergonhar nossa nação”.
Ele acusou não apenas as universidades, mas também as forças armadas, a polícia e os grandes grupos empresariais da Grã-Bretanha de “atitudes arraigadas, institucionais e insidiosas” de manter as pessoas fora desse esquema.
*Mario Vargas Llosa
Uma das profissões mais perigosas no mundo de hoje é o jornalismo. Todos os anos aparecem, nos balanços das agências especializadas, dezenas de repórteres, entrevistadores, fotógrafos e colunistas sequestrados, torturados ou assassinados por fanáticos religiosos e políticos, ditadores, quadrilhas de criminosos e traficantes ou donos de impérios econômicos que veem a existência de uma imprensa independente e livre como uma ameaça aos seus interesses.









