Aviao Eduardo CamposO Cenipa – Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos apontou pelo menos quatro fatores que teriam contribuído para a queda do avião que vitimou o candidato a presidente, Eduardo Campos, em agosto de 2014, e mais cinco pessoas. A FAB apresentou ontem as conclusões da investigação sobre o acidente ocorrido com o Cessna, no momento do pouso, no aeroporto de Santos.

Entre as causas apontadas, a atitude dos pilotos, ao tomar decisões na hora do pouso; as condições meteorológicas adversas; a desorientação espacial e a indisciplina de voo. Também há fatores que podem ter contribuído, mas que não ficaram comprovados, como é o caso de uma eventual fadiga da tripulação. Como quase sempre acontece em acidentes aéreos graves, não existe uma única causa para a queda de um avião, pelo menos os mais modernos, mas um conjunto de fatores que, combinados, acabam em acidentes.

Pode-se até admitir que pelo menos três acidentes aéreos que aconteceram recentemente, a derrubada do avião da Malaysia Airlines, na Ucrânia, em 2014, por um míssil russo; e a queda do avião da Germanwinds, em março de 2015, além da queda de um avião da Metrojet, com turistas russos, em outubro de 2015, quando saía do Egito para São Petersburgo, foram desastres atípicos.

Mas nem nesses três casos pode-se admitir a existência de uma única causa para as tragédias. Não foi unicamente o lançamento de um míssil; e nem só a deliberada atitude do copiloto Andreas Lubitz, da Germanwinds, os únicos fatores a considerar nos dois primeiros casos. E até agora também não está definitivamente comprovado que o avião russo, com 224 passageiros e tripulantes, foi derrubado por uma bomba a bordo, como assumido pelos terroristas autodenominados exercito islâmico e não admitido pelas autoridades egípcias.

Gestão de Riscos

No caso do desastre com o Cessna alugado pela campanha de Eduardo Campos, vários fatores sugerem a falta de prevenção de crises por qualquer ângulo que se analise o acidente. Sem descartar até mesmo a falha do equipamento. A polêmica sobre o que motivou a queda está longe de terminar, até porque o advogado das famílias do piloto e copiloto contesta a conclusão do Cenipa. Eles abriram uma investigação paralela, tentando demonstrar que houve problemas no avião, antes do pouso, criticando a falta de transparência da FAB na investigação.

O advogado está processando a empresa fabricante do avião e quer incluir como causa do acidente uma falha no modelo da aeronave, baseando-se em precedentes ocorridos em outros desastres com esse tipo de aeronave.

Mas isso não invalida o fato de que os fatores apontados pelo Cenipa, após um ano e meio de investigação, sugerem a existência de falhas graves na gestão de riscos dessa viagem. Deve-se lembrar que até mesmo a propriedade do avião não foi até hoje bem esclarecida. Ele pertencia a um usineiro e teria sido emprestado para a campanha. A aeronave está registrada no nome do Grupo Andrade, de Ribeirão Preto-SP, que atua no setor de cana-de-açúcar. Moradores de Santos, atingidos e prejudicados pelo acidente, continuam brigando na Justiça para saber quem vai pagar os prejuízos. Só isso já seria um passivo complicado para administrar.

Entre os fatores apontados como causa do acidente estão: a mudança de trajeto na hora do pouso, o que pode demonstrar, talvez, a confiança, e por isso também uma certa autossuficiência, pela longa experiência do piloto; o voo em condições metereológicas adversas, provavelmente pela agenda apertada e compromissos do candidato; o alegado estresse da tripulação, deduzida pelos diálogos analisados; e até mesmo a falta de treinamento para situações como aquela, de elevado risco e pressão.

Não fossem todos esses fatores agravantes, bastaria apenas um único caso para indicar que num voo de passageiros, não importa o tamanho do avião, qualquer das falhas apontadas já seria admitir um alto risco.

Independentemente do que venha a ocorrer com o aprofundamento da investigação, que pode se arrastar na Justiça brasileira e americana, o fato de o Cenipa não ter descoberto nenhuma falha evidente no avião até agora, levanta a hipótese de que o Cessna 560 XLS caiu por causas que poderiam ser evitadas com uma boa gestão de riscos.

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