Tiroteios nos EUA“As manchetes todas começam a parecer as mesmas depois de algum tempo. Sete pessoas baleadas dentro de uma boate em Louisville. Quatro homens abriram fogo em Suffolk, na madrugada de domingo. Dois mortos, dois hospitalizados em tiroteio no tiroteio da Brice Street”.

Assim começa artigo publicado no Washington Post, do colunista Christopher Ingraham, sobre uma epidemia que parece contaminar todas as regiões dos Estados Unidos. A quantidade de atentados, por atiradores isolados, sem fazerem parte de um grupo terrorista, como acontece na Ásia, por exemplo.

“Os tiroteios acontecem com tanta frequência, as circunstâncias tornam-se tão familiares, que ninguém mais presta atenção. Um morto e cinco feridos em tiroteio no oeste de Columbus. Quatro tiros numa emboscada na mercearia. Um morto e quatro feridos em tiroteio em Stockton.

"A toda hora, cada crime particularmente hediondo nos faz parar e refletir. Nove mortos em tiroteio numa igreja frequentada por negros em Charleston. Quatro fuzileiros e um marinheiro mortos em ataques a instalações militares em Chattanooga. Um atirador abre fogo em um cinema na Louisiana: duas inocentes mortas".

O site chamado Mass Shooting Tracker (monitor de tiroteios em massa) - plataforma de rastreamento de atentados em massa, nos EUA -, projeto de um grupo de pessoas anti-armas, assegura que os atentados noticiados são subestimados. Eles listam 203 eventos de tiroteios em massa de 1o. de janeiro até o dia 23 de junho deste ano. “Se somarmos o tiroteio em um cinema de Louisiana na noite passada,  chegamos a 204”.  O crime aconteceu em Lafayette, no Estado de Louisiana, em que um homem disparou contra uma plateia de cinema, matando duas pessoas e ferindo doze. John Houser, 59, se matou em seguida. Aliás, ontem foi o 204o. dia do ano. 204 tiroteios em 204 dias de 2015”. Salvo zonas de guerra, certamente um recorde internacional.

O “Mass Shooting Tracker” é diferente de outros bancos de dados de tiroteios, em que eles usam uma definição mais ampla de atentado em massa. Os criadores do site explicam que "A antiga definição do FBI de “assassinato em massa” é de quatro ou mais pessoas assassinadas em um evento. "É lógico que um tiroteio em massa é de quatro ou mais pessoas atingidas em um evento."

De acordo com essa definição, 40 dentre os 50 Estados americanos sofreram algum tipo de tiroteio em massa desde o início do ano. Os líderes de incidentes são os Estados de Nova York, Califórnia e Texas. Louisiana registrou oito.

Esses tiroteios se tornaram tão comuns nos EUA que eles normalmente já não se tornam notícia nacional. Mais ou menos com os assassinatos nas periferias das grandes cidades do Brasil. O artigo do Washington Post pergunta: “Você se lembra das quatro pessoas baleadas em Cincinnati, no início deste mês? Como cerca de outras sete em Cleveland, ou nove em Fort Wayne? A menos que você viva nessas áreas, você provavelmente nem sequer ouviu falar deles".

Tiroteios viraram rotina

O colunista Christopher Ingraham, do Whashingon Post, chama a atenção de que a população está se acostumando com essa triste realidade.

Talvez aí esteja a raiz do problema: a banalização do crime. Em certas cidades e bairros no Brasil, não há uma noite em que não haja um assassinato. Em Manaus, no último fim de semana foram mortas 32 pessoas, tudo indicando que houve assassinato em massa por parte de policiais, em vingança pela morte de um colega.

Nos Estados Unidos, “este ano houve 18 fuzilamentos em massa em abril, 39 em maio, 41 em junho e 34 até agora em julho – e o  mês ainda não acabou”, diz o colunista.  

“O tiroteio no teatro foi o oitavo ocorrido no Estado da Louisiana este ano. Houve 10 em Ohio, 14 na Califórnia e 16 em Nova York. Alguma coisa vai mudar? Provavelmente não. O tiroteio em Charleston (que matou nove pessoas numa igreja frequentada por negros) produziu uma conversa frutífera nacional - e não sobre armas, mas sobre o  simbolismo da bandeira confederada, que o atirador tinha adotado como bandeira de suas crenças racistas. Levou 150 anos e uma tragédia nacional para o país para chegar a algo como um consenso sobre o significado de uma bandeira de batalha", diz o colunista.

O presidente Barack Obama diz que, se perguntarem para ele qual a grande frustração que ele tem no governo, foi não ter conseguido aprovar restrições à compra de armas nos EUA.

"Aqueles que vivem nos Estados Unidos, ou tenham que visitá-lo, poderiam fazer melhor considerando os fuzilamentos em massa na linha do que acontece com a poluição do ar na China: um perigo endêmico para a saúde local que, por razões culturais, sociais, econômicas e políticas profundas, o país é incapaz de tratar ", escreveu a revista The Economist, em resposta ao massacre em Charleston.

Mas, conclui a revista: "Isso pode, no entanto, ser um pouco injusto. A China parece estar fazendo progressos sobre a poluição." Quanto aos EUA, parece que cada ano as coisas ficam piores.

Outras reportagens sobre o tema

EUA tiveram um tiroteio por dia no ano, num total de 204, diz site

Terror solitário cresce - O Estado de S. Paulo

11 essential facts about guns and mass shootings in America

204 mass shootings in the United States so far in 2015, crowd-sourced tracker says – Timeline

There have been 204 mass shootings in America in 204 days: Report

 

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