saudacao nazista da RainhaNa última quinta-feira, 16, a mídia britânica, que se notabilizou nos últimos anos por se envolver em fatos polêmicos, quando não escandalosos, foi protagonista de mais um. O jornal sensacionalista The Sun, da cadeia News Corporation, do magnata Rupert Murdoch, publicou reportagem e divulgou um vídeo de 17 segundos, descoberto pelo jornal, onde aparece a família real britânica, em 1933, fazendo a saudação nazista.

No vídeo, a  Rainha Elizabeth, aos 7 anos, aparece junto com a mãe, o polêmico tio e ex-rei Edward, e a irmãzinha, nos jardins do castelo de Balmoral, fazendo a tradicional saudação nazista. As crianças aparentemente imitam a mãe, como se fosse uma brincadeira.

Naturalmente, a publicação gerou protestos do Palácio Real e muita controvérsia entre os súditos e a mídia. Até que ponto o jornal, ao ter acesso ao vídeo, deveria publicá-lo? A crítica é que as imagens deveriam ser analisadas no contexto da época, seis anos antes do início da II Guerra Mundial.

O The Times deste domingo informa que o Palácio de Buckingham começou a investigar como esse filme antigo, com mais de 80 anos, caiu nas mãos do jornal. As autoridades examinam duas vertentes: a questão dos direitos autorais, quem os detinha? E uma segunda, se a liberação e divulgação representariam um crime.

O jornal The Guardian, concorrente do The Sun, defende a publicação: “Uma vez que o jornal obteve o filme, o que foi que deveria fazer? Suprimi-lo? Entregá-lo para o palácio? Ele foi obrigado a publicá-lo e, ao fazê-lo, naturalmente causou tanto barulho”, diz o comentarista Roy Greenslade.

A polêmica publicação não deixa de registrar a simpatia do ex-rei Edward pelo nacional socialismo da Alemanha. Tio da atual rainha Elizabeth, ele renunciou ao trono, em 1936, 11 meses após assumir, pela pressão e a polêmica para se casar com a socialite americana Wallis Simpson. Em seu lugar assumiu o irmão dele, George VI, personagem do magistral filme “O discurso do Rei”.

O comentarista do The Guardian, afirma entender a decepção da rainha com a publicação, “mas  dificilmente isso merece condenação. Afinal, embora um pouco embaraçoso para a monarca de 90 anos, isso não vai mudar a opinião de ninguém sobre ela”.

“Ela não vai sofrer uma reação do público britânico. Também não é provável que haja uma reavaliação de sua mãe. E mesmo aqueles que acreditam que Edward VIII tivesse sido um simpatizante do nazismo, não poderão realmente apresentar isso como uma prova positiva de seu apoio a Adolf Hitler". Anos mais tarde, apesar de ter visitado Hitler, quando este era Chanceler alemão, ele reconheceu que estava enganado sobre o tirano.

O que faltou na publicação do The Sun, segundo Greenslade,  foi o contexto exato do incidente. Analisadas num contexto mais coerente, as cenas do vídeo poderiam significar apenas mais uma brincadeira, como tantas pessoas faziam à época com a famigerada saudação nazista nos países não alinhados. Segundo Greenslade, o jornal não lança qualquer calúnia sobre a rainha, sua mãe e muito menos para meninas de 3 e 7 anos. Apenas divulgou o vídeo pelo inusitado histórico, já que a Grã-Bretanha foi e é o símbolo da vitória dos aliados sobre os nazistas na II Guerra.

À parte as observações sobre a simpatia de Edward com o nazismo, que precisariam ser contextualizadas historicamente, segundo o The Guardian. “a outra objeção levantada pelo palácio na Nota divulgada é que o jornal The Sun "explorou" o filme. Claro que sim. E daí? Isso não se destaca como uma crítica válida porque qualquer jornal na posse de um “furo”, qualquer que seja o mercado em que atua, faria o mesmo.”

Quanto às observações feitas, desde a publicação, sobre “uma invasão de privacidade. Se assim for, esses argumentos também podem ser ignorados. A família real é uma família distante. As regras normais não se aplicam por causa de sua posição privilegiada”, conclui o articulista.

Certamente a mídia e o público britânico ficarão semanas discutindo o "furo" do The Sun, especulando de onde poderia ter vindo o antigo filme, provavelmente feito pelo ex-rei Edward, tio de Elizabeth. Fofocas que envolvem a família real são o prato preferido da mídia britânica, principalmente dos chamados "jornais de celebridades", categoria a que pertence o The Sun. No caso, não importa a origem do filme, mas sim o seu conteúdo.

Quando o jornalista percebe que o fato pode virar notícia, não há dúvida de que, preservados os aspectos jurídicos, o jornal ou o qualquer que seja a mídia irão publicar. Só pelo fato de ter se transformado no comentário do fim de semana, já significa que realmente a divulgação é notícia.

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