celular boa instante articlesOs jornais The New York Times e The Guardian, junto com grupos de mídia europeus iniciaram uma experiência denominada “Instante Articles” de compartilhamento de alguns conteúdos no Facebook. É o primeiro “casamento” formalizado da mídia tradicional com as redes sociais.

Além dos dois jornais, a experiência inclui o BuzzFeed, a National Geographic, a NBC News e a revista The Atlantic como parceiros dos EUA. Os primeiros cinco artigos de cada uma das publicações dos Estados Unidos foram compartilhados no Facebook, em 13 de maio.

Na Europa, além dos britânicos BBC News e The Guardian, aderiram ao “Instant Article” as publicações alemãs Bild e Spiegel. Os primeiros artigos começarão a ser publicados no início do verão (junho).

A modalidade coroa meses de negociações entre o gigante da Internet e as empresa de mídia, que estão de olho na audência do Facebook, mas com medo do seu crescente poder.  

Segundo reportagem do jornal britânico The Guardian, a “nova iniciativa acelera o processo de carregamento de artigos de notícias na rede social. Isso poderá transformar a maneira como os usuários leem artigos de notícias” e pode ser o primeiro passo para um convívio pacífico entre mídia tradicional e os sites mais populares das redes sociais.

Para o jornal britânico, o “Facebook tornou-se uma fonte cada vez mais importante de tráfego on-line para os editores de notícias, mas a gigante da web dos EUA diz que o processo de leitura de artigos em celulares é uma das partes mais lentas do seu app”.

Convenhamos, por mais prático que possa ser a leitura de artigos densos no celular, como costumam ser os melhores da mídia tradicional, é extremamente cansativo e desencorajador ler um artigo longo na tela de um smarthfone.

“Atualmente, os leitores móveis têm que clicar em um link em seu feed de notícias com uma espera de mais de oito segundos para o artigo carregar em outra página web - uma experiência lenta no mundo internet, que vive em ritmo acelerado”, diz o The Guardian.

Instant Articles

A nova iniciativa, batizada de “Instant articles” (Artigos Instantâneos), vai possibilitar ver as histórias fluírem dentro do Facebook. A empresa diz que vai fazer uma experiência de carregamento sem interrupção, dez vezes mais rápida do que o sistema atual.

"É ótimo ver a experiência do Facebook, com novas formas de jornalismo de qualidade, florescer no celular", disse Tony Danker, diretor internacional para o Guardian News & Media, editor dos jornais Guardian e Observer. "O Guardian está ansioso para testar como a nova plataforma pode fornecer uma experiência ainda mais envolvente para os nossos leitores."

O jornal britânico é dos poucos no mundo, entre as grandes publicações, a não ter parceria com a Apple, fornecendo conteúdo aberto, assim como o espanhol El País, por discordar da forma centralizada e ditatorial do sistema de assinaturas feitos por meio da gigante americana.

Segundo o The Guardian, “a chegada dos “instant articles” tem sido tratada com cautela por algumas empresas de mídia, preocupadas com a quantidade de dados de usuários aos quais o Facebook poderia ter acesso, bem como se este poderia ser apenas o primeiro movimento via internet da gigante norte-americana para controlar mais conteúdo.”

"Estamos trabalhando com as editoras para dar ainda mais insights sobre como as histórias são lidas e as pessoas se envolvem em torno delas", disse Justin Osofsky, vice-presidente de parcerias de mídia e operações globais do Facebook.

“Michael Reckhow, gerente de produto do “Instant articles” do Facebook, negou reportagens que especularam que os editores deixariam de obter o máximo de informações com dados dos usuários, se essas histórias fossem hospedadas pelo Facebook.” Esse um dos dilemas da intermediação da Apple.

Ele disse ao The Guardian que esse o programa “Instant  Articles” apoiará a medição de tráfego das grandes empresas como a Adobe Analytics, Google Analytics e ComScore, utilizadas pelos editores para obter dados de audiência para depois vender grandes campanhas de publicidade. Para ele, os editores continuarão a "obter crédito em tráfego" .

O Facebook tem como objetivo atrair editores, oferecendo-lhes 100% da receita publicitária que eles vendem em torno de artigos, e 70% do inventário de publicidade vendida pelo Facebook.

"É vital que, ao longo do tempo, o “Instant Article” ofereça benefício recorrente para os editores, cujo investimento contínuo em conteúdo original sustenta seu sucesso", disse um fonte ao Facebook, segundo o The Guardian.

"Os editores podem trazer toda a sua marca, as pessoas devem sentir que eles estão tanto na National Geographic ou no The Guardian", disse Mike Matas, designer do “Instant Articles”, no Facebook. .

Ainda de acordo com o The Guardian, o Facebook está se tornando um gigante na área da publicidade móvel, com expectativas de que as receitas de anúncios globais possam chegar a US$ 11 bilhões este ano, de acordo com a eMarketer. Em 2017, esse valor deverá ser US$ 17,7 bilhões. Sucesso que o Twitter não conseguiu obter e, por isso, ainda luta para encontrar uma forma de negócios lucrativa.

Em época de crise, em que a mídia tradicional, sobretudo a impressa, sofre perda de leitores, o Facebook tornou-se fonte vital de tráfego para “publishers” que procuram aumentar sua fragmentada audiência ligada nos smarthfones. Nos últimos meses, o Facebook tem mantido contatos reservados com pelo menos uma dúzia de empresas de mídia sobre a possibilidade de hospedar conteúdos dentro do Facebook, mostrando ser melhor do que fazer os usuários ir a sites externos buscar notícias.

Se a experiência vai dar certo, só o tempo dirá. Desde que surgiram as redes sociais, principalmente após o estrondoso sucesso do Facebook, que conta hoje com 1,4 bilhão de usuários no mundo, não se encontrou uma forma de convívio atraente, rentável e harmonioso entre os grandes grupos de mídia internacional e essas plataformas online. É um modelo de negócio que ainda está sendo testado. Para os usuários do Facebook, se der certo, será mais um produto de grande utilidade.

Os leitores tradicionais, aqueles que leem diariamente os jornais que aderiram à rede, talvez ainda seja melhor beber a água direto na fonte. Até porque apenas alguns artigos estarão no Facebook e não se sabe se serão os melhores.

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