vandalismo no rioO Sindicato dos Jornalistas do município do Rio de Janeiro divulgou nesta quinta-feira (14) nota de repúdio aos ataques desferidos contra a liberdade de imprensa, feita por vândalos travestidos de “manifestantes”, que constrangem jornalistas, destroem o patrimônio público e carros de reportagem, descarregando contra a imprensa revolta dirigida a políticos e ao governo.

Desde o início das manifestações temos repudiado e alertado nesta página o perigo de permitir, sob a ótica da não violência e da "liberdade de manifestação", que bandidos mascarados, escondidos sob o manto da impunidade e defendidos prontamente por advogados de plantão, invistam contra o patrimônio público e a população em geral. Onde não há ordem, impera o caos. Nada menos do que está acontecendo no Egito.

O que ocorre no Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente, sob a ótica de “protestos contra o governador”, seja Sérgio Cabral ou Geraldo Alckmin, não se coaduna com o estado de direito que deve imperar numa sociedade. Quem se esconde atrás de máscaras não está protestando. Faz baderna, saque e merece repressão, repúdio e cadeia. Quando a polícia reprime, não faltam vozes que estão no sofá da sala ou nos escritórios para defender o "direito" dos manifestantes.

O país está patinando na economia. Vive momentos decisivos para dar um salto no desenvolvimento. Mas grupos organizados, melhor dizendo, qualquer grupo, que se sinta atingido, irritado ou de mau humor, acha-se no direito de interromper uma rodovia ou uma rua e impedir o tráfego de veículos, causando prejuízo ao cidadão, que tem o direito de se locomover, e à economia do país. O que fazem as autoridades? Fingem-se de mortas. Não querem ser acusadas de repressoras, até porque vem aí um período de eleição.

As passeatas, que começaram ordeiras, se transformaram em horda de vândalos, ameaça à segurança do cidadão comum, como aconteceu com uma senhora, que morreu, no Rio de Janeiro, assustada com a violência dos ataques da última quinta-feira, ao se refugiar numa farmácia. Entre os alvos, a imprensa parece ser um dos preferidos, não interessa a linha editorial do veículo de comunicação. Daí o repúdio do Sindicato do RJ.

Veja a íntegra da Nota do Sindicato dos Jornalistas do RJ:

“A liberdade de imprensa corre perigo. A situação está cada vez mais grave para os jornalistas que cobrem, ou melhor, que tentam cobrir as manifestações de rua, no Rio de Janeiro. Um pequeno grupo de manifestantes, no melhor estilo de milícias fascistas, passou a intimidar rotineiramente as equipes de jornalismo.

Nos protestos de segunda-feira 12/8 em frente ao Palácio Guanabara, em Laranjeiras, várias equipes foram acuadas e impedidas de trabalhar. Um repórter cinematográfico da TV Bandeirantes chegou a levar um soco nas costas. Não foi para isso que lutamos contra a ditadura que durante 21 anos perseguiu a imprensa, prendeu, torturou e assassinou tantos brasileiros. Entre eles, jornalistas.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro tem condenado, com veemência, esse grupo de manifestantes que decidiu que é o dono da verdade. E que com atos de violência acaba afastando dos protestos – legítimos, é importante dizer — boa parte da população que teme esse comportamento e não concorda com ele.

Os jornalistas têm o direito e o dever de trabalhar. Tentar impedir isso, sob qualquer pretexto, é acima de tudo uma estupidez. Sem a imprensa presente, o público não toma conhecimento do que se passa nas ruas, inclusive de eventuais atos de truculência de policiais contra manifestantes. Agredir jornalistas, queimar carros de reportagem são atos que nos fazem lembrar tempos sombrios, e não apenas em nosso país.

A sociedade, de um modo geral, deve estar atenta a esse perigoso caminho que está sendo trilhado por grupelhos fascistas. É preciso que outras vozes se levantem contra tamanho absurdo, antes que algo ainda mais grave aconteça.”

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

 

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