celular_torpedosA multinacional Sony, pioneira em muitas parafernálias tecnológicas, quando não havia internet, entre elas o popular walkman, enfrenta no momento uma grave crise, com o vazamento de dados de 77 milhões de usuários do PlayStation Network PSN (rede online de jogos da Sony), um de seus produtos mais populares. Hackers invadiram a rede on line e roubaram dados pessoais dos usuários.

Especula-se que os invasores também tiveram acesso aos números dos cartões de crédito dos inscritos. Tremenda dor de cabeça para a Sony e certamente um grande prejuízo financeiro e de imagem. A empresa suspendeu os jogos em todo o mundo, até apurar a dimensão da invasão.

A via crucis da Sony não foi a primeira incursão arrojada dos hackers. A ação dos meliantes já atingiu várias multinacionais, empresas públicas e autarquias pelo mundo. Este é apenas um exemplo da facilidade com que quadrilhas internacionais invadem sites e se apossam de dados reservados dos internautas. Constitui hoje uma preocupação de governos e empresas de segurança, até porque as quadrilhas vivem burlando a proteção que essas empresas continuamente atualizam.

É um paradoxo que, quanto mais avanço tecnológico, inimagináveis há dez anos, mais vulneráveis ficamos. Hoje, podemos fazer check-in de viagens aéreas em casa, optando pela emissão do ticket de embarque pelo celular, sem qualquer papel. Facilidade que transforma os antigos bilhetes de passagem, com várias folhas, usados há apenas sete ou oito anos, em peças de museu. Provavelmente adolescentes e crianças de hoje não tenham conhecido como eram emitidas as passagens há poucos anos.

Se as facilidades aumentaram, os riscos também se multiplicaram. As quadrilhas enviam milhões de e-mails todos os dias para nossos endereços eletrônicos, com o intuito de nos pegar de surpresa. Tentam, assim, invadir nosso espaço, com o objetivo de capturar dados. Não satisfeitos, atualmente, os hackers descobriram também outra alvo para obter dados pessoais: as redes sociais, como Orkut, Facebook, Twitter e outras.

O Facebook, a maior rede, com 600 milhões de usuários cadastrados no mundo, pela segunda vez este ano foi acusado de ter permitido o acesso a dados pessoais dos usuários, incluindo anunciantes. O Facebook confirmou a falha de segurança, mas negou o vazamento. Na dúvida, todos os usuários da rede estão correndo risco. Como confiar?

As empresas de segurança recomendam trocar as senhas frequentemente, para dar mais tranquilidade aos usuários. Mas não existem limites para os hackers. Na medida em que a internet se tornou mais invasiva, os cuidados com senhas, dados pessoais, fotos e informações privadas devem, sim, ser maiores. Mas isso não é garantia de segurança.

E não é apenas por meio da invasão de hackers que nossa privacidade está ameaçada. Não existem limites para o grande big brother tecnológico nos vigiar. Na Alemanha, um político do Partido Verde, Malte Spitz, entrou na Justiça, depois de ter desistido de pedir amigavelmente, para descobrir o que a Deutsche Telekom sabia sobre ele. Qual não foi a surpresa do usuário, quando recebeu a informação de que, no período de seis meses, a telefônica tinha registrado 35 mil vezes as coordenadas de latitude e longitude dele mesmo. Ou seja, a empresa sabia sempre onde ele andava e, talvez, até o que estava fazendo.

Em troca da facilidade de ter um telefone celular, os usuários estão entregando a própria privacidade. Isso, porque a operadora de celular está sempre se registrando numa torre,  onde o sinal é mais forte e com isso o usuário vai deixando suas pegadas. É uma informação preciosa que pode ser usada tanto para o bem, quanto para o mal. Há dois anos, já abordávamos neste site quanto nossa vida privada estava se tornando pública, no artigo Big Brother tecnológico mantém sociedade sob controle.

Assim, se você busca formas de fugir dos hackers, não consegue se livrar de várias outras parafernálias que o vigiam o tempo todo. Apenas para dar alguns exemplos. Ao entrar no elevador ou sair de sua residência, quase certamente você foi flagrado por uma câmera. Na maioria dos lugares públicos, atualmente, existem também câmeras que vigiam todos os elevadores, corredores, entradas, saídas e estacionamentos. Está no trabalho? Na fila do banco? No estacionamento? Cuidado, você está sendo gravado.

Se você foi ao supermercado, não pense que escapou. Além das câmeras de vigilância, ao usar o cartão de crédito para pagar a conta, a empresa operadora do cartão também sabe onde você está, quanto e onde gastou. Se você utiliza cartão magnético para pagar a passagem de ônibus ou metrô, os dados também são jogados numa central, com capacidade de saber onde e a que horas você passou. Enfim, não há saída. No Reino Unido, são quatro milhões de câmeras que vigiam os cidadãos britânicos dia e noite, inclusive placas de carro que circulam na cidade.  

Diante dessa ameaça que vem a reboque das novas tecnologias, a sociedade civil, principalmente dos EUA, começa a se unir questionando até que ponto, em nome da segurança e das ameaças, governos, empresas multinacionais ou de transporte, telefônicas, lojas de varejo têm o direito de monitorar os passos do cidadão. Como nós não podemos mais viver desconectados, estamos condenados a, em troca das facilidades da internet, dos celulares, chips, cartões de crédito e tickets de passagem, entregar informações valiosas sobre nossa vida pessoal.

Muitos consumidores questionam agora o que as operadoras fazem com as informações armazenadas. Se elas têm o direito de monitorá-los, sob os mais diferentes argumentos, os usuários alegam também ter o direito de saber o que é feito com suas informações pessoais. Certamente, quando você descobrir, como o alemão Malte Spitz, quantas vezes você foi monitorado por uma empresa telefônica, poderá ter uma desagradável surpresa.

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