JNO Jornal Nacional de 07/07/07 trouxe uma matéria que de certa forma tenta corrigir ou consertar estrago feito pela Polícia Federal, com o respaldo de praticamente toda a mídia, sobre pessoas ligadas ao Ministério das Minas e Energia.

Toda a história, bastante complicada, de gravações e filmagens feitas pela Polícia Federal, levaram-na a concluir que um assessor do então Ministro de Minas e Energia foi flagrado recebendo da Diretora Financeira da Construtora Gautama um envelope com R$ 100 mil em espécie, na ante-sala do Ministro. E que esse dinheiro se destinava ao Ministro como pagamento pela licitação vencida pela Construtora.

A imprensa deu ampla cobertura ao fato. Mas o que o Jornal Nacional apresenta agora é a conclusão de perito Ricardo Molina,que analisou as fitas do encontro da diretora e do assessor. O perito concluiu que pelas filmagens não dá para assegurar, nem garantir que o envelope que aparece na reportagem continha R$ 100 mil, até porque se contivesse o volume do pacote não seria aquele que aparece na filmagem. O que a Diretora entregou e aparece no filme, quando o assessor se despede no corredor do Ministério, é uma folha de papel, segundo o perito. Portanto, está equivocada a conclusão da Polícia Federal. Ele assegura: pela fita não dá para concluir que o assessor recebeu qualquer valor, pelo menos naquele momento.

A conclusão do perito confronta o próprio relatório da PF, que taxativamente acusou assessor e ministro de terem recebido aquele valor. Segundo o relatório da PF, a entrega ocorreu dias após a Gautama ter vencido uma licitação para o Programa Luz para todos, do Governo Federal.

A TV Globo nessa reportagem deu amplo espaço ao contraditório, mostrando a versão do perito e recordando as conclusões da PF. Se o fato realmente não é verdade, toda a imprensa tem a obrigação de corrigir o equívoco. Convém recordar que o então Ministro das Minas e Energia foi demitido em função das pressões da opinião pública, após a divulgação das matérias sobre as acusações da PF.

É bom que a imprensa aprenda, depois de erros passados, que a precipitação tanto dos meios de comunicação quanto dos órgãos policiais ou fiscalizadores, pode levar à execração pública pessoas inocentes e que os fatos não aconteceram como foi amplamente divulgado. Se a imprensa apenas reverberou o que a PF relatou oficialmente nas conclusões, cabe à PF corrigir e à imprensa dar ampla cobertura.

É muito salutar para a sociedade ficar sabendo quando ocorrem desvios e negociatas com o dinheiro público. O que não pode é a precipitação de informações e vazamento de gravações, sem que a denúncia esteja confirmada e devidamente apurada. Nesses casos, o erro de quem apura e de quem divulga dificilmente consegue ser consertado.

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