O Senado Federal não mostrou qualquer empenho em resolver a crise que há três meses mantém o Congresso nas manchetes.


Depois de semanas de denúncias, inúmeras notas e explicações, quase agressão no plenário e de cenas e olhares mais para A hora do pânico, nenhuma decisão séria foi tomada. Quem dançou foi a diretora de comunicação, a competente Ana Novelli, certamente porque deixou escapar alguma coisa que desagradou o condestável do Senado. Como se os meios de comunicação do Senado, pagos com nosso dinheiro, fossem propriedade de sua digníssima excelência.

A promessa de anular os atos secretos ficou no esquecimento. Demissões foram prometidas apenas. Vai-se empurrando com a barriga as soluções, apostando no arrefecimento da crise com outras notícias que possam abafá-la. O chamado Conselho de ética afronta a própria palavra “ética”, ao optar pelo arquivamento das denúncias contra Sarney, sem qualquer sinal de que iria averiguar alguma coisa. Chegou ao desplante de antecipar o voto, antes da reunião. Que nome você daria para um conselho desses?


Há um consenso entre os Senadores mais éticos, digamos, de que o atual presidente do Senado não tem as mínimas condições para presidir aquela casa, muito menos de liderar a discussão de temas que interessam ao país. Mas nem o presidente, nem seus apoiadores se sensibilizam com isso. Há certas figuras condestáveis da República, que estão mais interessados no “puder” que detêm, do que nos interesses do país. O compromisso que eles tanto fazem questão de lembrar em seus discursos, é apenas figura de retórica.

As barbaridades que foram ouvidas da boca de Homero Jucá, Renan Calheiros, Fernando Collor e Wellington Salgado nos últimos dias, principalmente do último, deveriam constar no “Festival de besteiras que assola o país”, do saudoso Stanislaw Ponte Preta, e serem proibidas para crianças e jovens abaixo de 18 anos. É um triste exemplo do desrespeito à ética e ao compromisso que devem pautar a atuação de parlamentares, em qualquer tempo. Mas, esperar o quê, de suplentes de suplentes, que nenhum voto tiveram para estar onde estão?

A solução está no sofá

Como a presidência do Senado não conseguiu até agora retirar da sala as denúncias que continuam a pipocar na imprensa, pelo menos nos veículos do Senado Sarney encontrou a solução, que Goebels,Ahmadinejad e Chaves certamente aplaudiriam. Se não posso trocar o noticiário, troco o porta-voz. Para isso, resolveu mexer na área de comunicação, liderada pela jornalista Ana Novelli. Nada melhor do que trazer de volta seu fiel escudeiro de todas as horas, Fernando Mesquita, porta-voz no governo Sarney e até governador nomeado de Fernando de Noronha, indicado pelo então presidente. É óbvio que Fernando Mesquita só vai permitir a divulgação daquilo que não atinge, digamos assim, a imagem já bastante desgastada de seu chefe.

Outra providência “saneadora” tomada como estratégia de sobrevivência do presidente do Senado foi proibir visitas às instalações da casa. Assustado com as manifestações do coro “Fora Sarney”, a gripe suína foi uma boa desculpa para não permitir a entrada de estranhos às galerias. Como se o povo brasileiro fosse idiota e acreditasse que o Senado, que não se preocupou com o contágio de suas contas, por meio de atos secretos e nomeação de parentes, estivesse alguma coisa preocupado com a contaminação dos visitantes.

O perigo de contágio no Senado, não é com a gripe suína, mas o contato com uma doença muito pior: a falta de ética e de respeito ao patrimônio e aos recursos públicos. Pode ser uma doença que à primeira vista não mata, mas quantos brasileiros devem ter morrido nos nossos sistemas de saúde, por falta de assistência, consulta, exames médicos e medicamentos, porque os recursos públicos foram vazados no escoadouro que hoje representa o Congresso Nacional? Nem no período de recesso, suas excelências deixaram de gastar com passagens, gasolina, jatinhos e outros quejandos, num flagrante desrespeito aos milhares de doentes e necessitados que passam horas nas paradas de ônibus e trens, nas filas dos postos de saúde ou escolas públicas para conseguir uma consulta ou vaga.

Não é com a proibição de visitas ou a troca do comando da comunicação que os senadores vão moralizar o Senado. Aí não tem jeito mesmo, talvez seja preciso toda uma geração para varrer aos poucos esses espécimes jurássicos que estão sempre preocupados com a própria sobrevivência e pouco se lixam para o que realmente interessa ao país. Mexer na comunicação para resolver os problemas, lembra o idiota que tirou o sofá da sala para resolver os problemas de adultério da mulher.(12/08/09)

Depois de semanas de denúncias, inúmeras notas e explicações, quase agressão no plenário e de cenas e olhares mais para A hora do pânico, nenhuma decisão séria foi tomada. Quem dançou foi a diretora de comunicação, a competente Ana Novelli, certamente porque deixou escapar alguma coisa que desagradou o condestável do Senado. Como se os meios de comunicação do Senado, pagos com nosso dinheiro, fossem propriedade de sua digníssima excelência.

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