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Principal jornal econômico do país até pelo menos 2002, quando surgiu o Valor Econômico, a Gazeta Mercantil, vive dias de agonia. Nesta segunda-feira, o proprietário da empresa Nelson Tanure publicou na primeira página do jornal um comunicado em que anuncia o rompimento do contrato e a devolução do jornal ao antigo dono, Luiz Fernando Levy.

A Gazeta é mais uma vítima da crise que atingiu alguns jornais brasileiros, a partir da década de 90. Um deles, o Jornal do Brasil – um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro – acabou vendido, quando a família Carneiro Pereira não conseguiu mais mantê-lo. Foi comprado pelo mesmo grupo que mantém hoje a Gazeta Mercantil. A Gazeta também foi vendida para o empresário Nelson Tanure, depois de várias tentativas de recuperação realizada pela família proprietária do jornal.

Nesta segunda-feira, mais um capítulo do epílogo de um dos grandes ícones do jornalismo brasileiro no período militar, principalmente por ter sido uma escola que formou vários jornalistas da área econômica. Os jornalistas que compõem hoje a redação do Valor Econômico, em sua grande parte, passaram pela redação da Gazeta Mercantil. O futuro do jornal agora é uma incógnita, porque o proprietário afirmou, em entrevista ao jornal gaúcho Já, que não gostaria de retomar o comando do jornal.

O jornal Valor Econômico de 26/05 informa que o diretor fez uma conferência telefônica com jornalistas da Gazeta. Ele teria afirmado que não irá assumir o jornal e que tudo acabou. Existe um impasse econômico entre a empresa controladora da Gazeta e os antigos diretores do jornal. A receita já estaria penhorada para pagar pendências trabalhistas. A CBM, controladora da Gazeta e do JB teria adiantado valores superiores ao que deve, por conta de royalties. Os cerca de 100 funcionários, entre eles 60 jornalistas, seriam alocados em outras publicações impressas e on line do grupo CBM.

De qualquer forma, é um fim melancólico para este que foi por muitos anos o maior jornal de economia do país. Por ele passaram jornalistas que marcaram uma época na cobertura econômica, como Celso Pinto, Matias Molina, Rolf Kuntz, Lilian Wite Fibe, Vera Brandimarte, Cláudia Safatle, Célia Gouvêa Franco, Maria Cristina Fernandes e tantos outros que hoje estão na redação do jornal Valor Econômico.

Leia a íntegra do comunicado publicado na primeira página da Gazeta Mercantil de 25/05/09:

COMUNICADO

A EDITORA JB S.A. comunica ao público em geral e aos assinantes e leitores do jornal GAZETA MERCANTIL que a partir de 1º de junho próximo não mais responderá pela publicação daquele jornal por haver exercido direito contratual de rescindir o Contrato de Licenciamento de Uso de Marcas e Usufruto Oneroso (CONTRATO) celebrado por escritura pública de 16/12/2003, conforme Notificação, Interpelação e Protesto Extrajudiciais dirigidos (a) à Gazeta Mercantil S.A. (GZM), proprietária das marcas nominais objeto dos registros 817.972.242, 817.972.250 e 817.972.269 (Classes 11, 38 e 41) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, e (b) às demais pessoas jurídicas e físicas integrantes do grupo econômico Gazeta Mercantil, partes no CONTRATO.

Na execução do CONTRATO a EDITORA JB S.A. observou os princípios da probidade e boa-fé que nortearam sua celebração, tendo cumprido suas obrigações contratuais com o grupo econômico Gazeta Mercantil, inclusive a de efetuar adiantamentos de recursos financeiros por conta dos royalties contratuais, de modo a propiciar à GZM renda para solução de suas obrigações pecuniárias anteriores à celebração do CONTRATO, em sua maioria de natureza trabalhista -- adiantamentos que, por excederem aos royalties devidos, tornaram a EDITORA JB S.A. credora da GZM. Tais princípios, entretanto, deixaram de ser observados pela licenciadora na execução do CONTRATO, causando prejuízo à EDITORA JB S.A. e à normal exploração econômica das marcas objeto do CONTRATO, o que fundamentou a decisão de rescisão contratual.

A EDITORA JB S.A. já manifestou à GZM que está à disposição para colaborar no que estiver ao seu alcance para que o grupo econômico Gazeta Mercantil dê continuidade, sem interrupção, na publicação do jornal GAZETA MERCANTIL a partir de 1º de junho, reafirmando de público essa sua disposição de colaboração – que entende ser do interesse daquele grupo econômico, de seus funcionários, dos assinantes, dos leitores e do público em geral.

Ao fazer o presente comunicado sobre a rescisão do CONTRATO, com a retomada pela GZM da posse direta das marcas nominais, a EDITORA JB S.A

(a) consigna sua convicção de ter, como licenciada, contribuído para o fortalecimento e a modernização do jornal GAZETA MERCANTIL,

(b) agradece a confi ança, o apoio e a colaboração dos assinantes, leitores, funcionários, anunciantes, fornecedores e agências de publicidade durante o período em que exerceu o direito de uso da marca Gazeta Mercantil para a publicação daquele jornal e

(c) espera que a GZM e os demais integrantes do seu grupo econômico dêem continuidade à publicação do renomado jornal, preservando a marca e em benefício da mídia nacional.

Rio de Janeiro, 25 de maio de 2009

EDITORA JB S.A.

Matéria divulgada em 29 de maio de 2009.

Gazeta Mercantil deixa de circular na segunda

A Gazeta Mercantil deixará de circular no dia 1º de junho, segunda-feira, já que a CBM (Companhia Brasileira de Multimídia) e a família de Luiz Fernando Levy, que voltou a ser proprietária da marca e do jornal, não chegaram a um consenso.

Segundo informações do Portal Imprensa, os funcionários do periódico terão 30 dias de férias remuneradas, que, se preciso, serão prorrogadas por mais um mês. O prazo estipulado vale como aviso prévio, se nenhum acordo for firmando durante o período.

Representantes da CBM disseram que a companhia deve realocar os profissionais em alguma publicação da empresa, como o Jornal do Brasil. Outra opção seria a criação de um portal com notícias econômicas para os jornalistas da Gazeta, mas ainda não existe uma decisão final.

Nesta sexta-feira (29), um comunicado foi divulgado na capa do jornal afirmando que hoje é o último dia que a publicação circula sob a responsabilidade da CBM.

Leia o comunicado:

Em complemento ao 'Comunicado' de 25 de maio do presente, e pelos motivos nele expostos, a EDITORA JB S.A. informa que a edição de hoje do jornal 'GAZETA MERCANTIL' é a última publicada sob sua responsabilidade, nos termos do 'Contrato de Licenciamento de Uso de Marcas e Usufruto Oneroso' celebrado por escritura pública de 16/12/2003 junto à Gazeta Mercantil S.A., proprietária das marcas nominais objeto dos registros 817.972.242.972.250 e 817.972.269 (Classes 11, 38 e 41) do Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI.

A EDITORA JB S.A. reitera convicção de haver fortalecido e modernizado o jornal 'GAZETA MERCANTIL', bem como agradece ao público em geral e aos seus leitores e anunciantes a confiança nela depositada durante o exercício do direito de uso da marca 'GAZETA MERCANTIL'.

A partir de 1º de junho próximo, a Gazeta Mercantil S. A., controlada pelo Sr. Luiz Fernando Ferreira Levy, é a única e exclusiva responsável pela edição e comercialização do jornal 'GAZETA MERCANTIL' e pela defesa e conservação das marcas, que são de sua propriedade.

A EDITORA JB S.A. continua a manifestar sua disposição em colaborar para a continuidade, sem interrupção, da publicação deste periódico.

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