news blog logo


news menu leftnews menu right

          twi1    face1    

Publicações

Serviços

servicos

Pesquisa no Site

Livros

Gestão de Crises e Comunicaçãolivroforni Troféu Cultura Econômica 2013

Enquetes

O que representa para o jornalismo a atuação do site WikiLeaks?
 
Os jornais devem cobrar pelo conteúdo on line de seus sites?:
 
Nós temos 13 visitantes online
Atentado mostra a insensatez de um país armado PDF Imprimir E-mail
Dom, 22 de Julho de 2012 01:08

atentado_coloradoOs Estados Unidos acordaram nesta sexta-feira chocados com mais uma tragédia envolvendo um maníaco atirador. Armado e vestido como para um ritual, invade um cinema e começa a atirar a esmo, apenas pelo prazer de matar. O país já poderia até estar preparado para ataques semelhantes, pois psicopatas têm infelicitado inúmeras famílias nos últimos anos, desde que Charles Whitman matou 16 pessoas e feriu 31, em agosto de 1966, na Universidade do Texas, em Austin.

De lá para cá perdeu-se a conta de atentados semelhantes no mundo. Mas não há dúvidas de que é uma tragédia tipicamente americana. Nos Estados Unidos, ataques semelhantes ocorrem 40 vezes mais do que no Canadá ou na Inglaterra, por exemplo. O país teria 260 milhões de armas nas mãos da população, algo como um terço de todas as armas do mundo.

A primeira reação é de choque, como na maioria das crises com mortes. Depois, passados os primeiros momentos de dor e homenagem aos mortos, o país se recolhe num silêncio vergonhoso e doloroso, para refletir por que acontecem tantas tragédias desse tipo. Sant Ysidro, Edmond, Columbine, Virgina Tech e tantas outras. Há uma inclinação mórbida por escolas e por jovens. Como na Noruega, Finlândia, Alemanha, China.

Logo após a tragédia, a mídia correu ao site da National Rifle Association (NRA), que defende a livre venda de armas nos EUA e foi responsável pela campanha contra restrições à comercialização e porte, anos atrás. No site da associação, nada. Silêncio absoluto. Nenhuma nota, nenhuma condolência pelo ferimento em 71 pessoas inocentes, conforme registra o professor da Universidade de Chicago, Geoffrey R. Stone, em artigo no Huffington Post.  “Para minha surpresa... eu não encontrei nada” no site.

O cineasta Michael Moore registrou, com sua ironia ferina, os argumentos dos defensores da liberdade de comprar armas, garantida pela Constituição, e liderada pelo falecido ator Charlton Heston (Ben-Hur), no chocante documentário Tiros em Columbine, de 2002.

O argumento dos belicistas, liderados e financiados pela poderosa e rica indústria do armamento, a que os EUA já se acostumaram, é que armas não matam. As pessoas matam. É uma conclusão simplista, mas que talvez explique porque armas proliferam nos Estados Unidos, enquanto são banidas no Reino Unido e no Canadá. E porque o número de atentados começa a se tornar uma macabra rotina entre os americanos. Se os EUA tivessem a mesma taxa de assassinatos do Reino Unido e do Canadá, segundo Stone, 100 mil americanos poderiam estar vivos, desde o ano 2000. Na Grã-Bretanha nem a polícia anda armada.

Segundo Geoffrey, os argumentos da NRA é de que não se pode associar os atentados ao fato de armas proliferarem na América e serem escassas em outros países, onde atentados são raríssimos. “Nós talvez tenhamos que enfrentar os fatos: americanos, ao contrário de ingleses e canadenses, são assassinos por natureza. A fácil disponibilidade de armas letais não tem nada a ver com isso”, ironiza o professor Geoffrey Stone.

O professor de leis da Universidade de Chicago culpa também os políticos do Congresso Americano que “persistentemente falham em rever a legislação para banir ou limitar a venda e o porte de armas. Esta é, acima de qualquer medida, uma dolorosa falha da governança responsável”.

O Presidente Obama diz que não é hora de política, mas de oração. “Mas esta é a hora dos políticos, antes que nós voltemos a fazer, depois de cada massacre – derramar algumas lágrimas, expressar nosso pesar, dizer umas poucas orações, e então rapidamente voltarmos a fazer o que a NRA quer que nós façamos – mudar de assunto”, conclui Geoffrey.

O The Times, de Londres, em Editorial, diz que um homem – não uma cultura, não uma sociedade, não uma nação, mas um homem – é responsável pela desgraça que envolverá muitas famílias no Colorado, por anos. O New York Timestambém em Editorial, assegura que “o país precisa uma pausa para reflexão, esperar por mais informações”, enquanto o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg afirmou que “nós necessitamos mais do que refletir. Talvez seja hora de as duas pessoas que querem ser presidente dos EUA se erguerem e nos dizer o que eles estão pretendendo fazer sobre isso”.

No entanto, uma outra reação humana à tragédia, quase tão imediata como a compaixão, o sentimento de solidariedade e apoio, é tentar entender por que e como aconteceu. Em parte é porque os seres humanos são seres racionais, impulsionados a buscar explicações racionais, até mesmo para ações profundamente irracionais. Em parte é porque eles sentem o dever de tentar evitar que tais eventos ocorram novamente. Neste segundo aspecto, muitas pessoas na Grã-Bretanha e na Europa, e de fato muitos na América, colocam a culpa de forma rápida e diretamente sobre a fácil disponibilidade de armas nos EUA.

Mas não há dúvidas de que os números são eloquentes nessa interpretação. Em 2010 menos de 100 pessoas foram assassinadas com arma de fogo no Reino Unido. O valor equivalente para os EUA, com uma população cinco vezes maior, foi 8.775. Com menos armas em circulação, tais estatísticas sugerem, menos pessoas sofrem seus efeitos, diz o Times.

O político e líder religioso americano, Gary Hart, pergunta: “Quando um ser humano mata uma dúzia de pessoas e fere outras que nenhuma ameaça representam a ele, nada parece fazer sentido, nada é razoável ou racional. Isso nos leva a questionar se a sociedade está se desintegrando, se há um lado negro da natureza humana, para além do alcance da razão e da sanidade, e até mesmo se o verniz da civilização tornou-se tão fino que está indo embora”.

Como enfrentar essa crise

O governo Obama nas primeiras horas fez o que devia ser feito. Suspendeu a campanha presidencial, decretou luto oficial de seis dias e fez um pronunciamento à nação, na conferência de imprensa. No sábado, outro pronunciamento na linha do que ele mais sabe fazer: falar bem. Neste domingo, o presidente americano visita o local para homenagear os mortos. O opositor Mitt Romney também lamentou e parou a campanha. Os produtores do filme, cenário da tragédia, suspenderam o lançamento na Europa e cancelaram todas as entrevistas, em sinal de respeito aos mortos. Até Hollywood, que aparentemente não se emociona com grandes tragédias, ficou chocado, pela estreia de uma nova forma de barbárie: mortes numa casa de espetáculos, no lançamento de uma superprodução.

A tragédia também será motivo para se rediscutir a segurança em locais públicos. Se hoje, principalmente nos Estados Unidos e Europa, há uma verdadeira paranoia por revistas, detectores de metais e proibições de toda a ordem, vai ficar pior. Essa paranoia apenas ameniza a incapacidade das autoridades policiais de evitar tragédias, porque não garante e não existe segurança absoluta. Há outros componentes por trás da tragédia que transcendem prevenções de crise, desde o monitoramento de psicopatas, até a triagem de segurança em locais públicos, passando pela restrição ao comércio de armas.

Cada vez mais a sociedade vai ficar enclausurada e monitorada, como se por trás de cada cidadão houvesse um terrorista ou um atirador em potencial. Sem que isso evite um ciclo mórbido de atiradores que a qualquer momento podem estar se preparando, na solidão de seus apartamentos ou casas, para um novo ataque. Como fez James Holmes, um dedicado doutorando de neurociência na Universidade do Colorado.

Como em todas as tragédias, muitas versões e estudos sociológicos serão publicados nos próximos dias. Mas talvez seja o momento para a sociedade, empresas de entretenimento, de videogames, escolas, academias de ginástica, clubes esportivos, educadores, religiosos, políticos refletirem sobre os valores repassados hoje aos jovens, em que a glamourização da força bruta, da cultura do corpo sarado, de jogos, filmes e videogames violentos, associado à cultura da guerra, principalmente nos Estados Unidos, se sobrepõem à capacidade de pensar, de resolver os problemas, até mesmo os existenciais, com o diálogo, a compreensão e a sabedoria.

Por algum tempo, como aconteceu com Columbine e Virgina Tech, este será o tema do momento, principalmente nos Estados Unidos. A crise que se abate sobre a pequena localidade de Aurora, próxima a Denver, no Colorado, é apenas a ponta do iceberg de uma crise muito maior que questiona os valores da sociedade do século XXI.

Foto: Barry Gutierrez/Associated Press

Outros artigos sobre o mesmo tema

Quem são as vítimas do atirador

A noite negra do Colorado - The Economist

Ataque a escola no Rio mostra a loucura globalizada

Timeline dos maiores atentados a tiros ao redor do mundo

Morte dos inocentes mostra despreparo para situações de risco

Atentado da Noruega contraria lógica das crise

 
blog

A opinião dos especialistas

The Future of the Press
The Times

The media is not the custodian of an organisation’s public reputation
Jonathan Boddy
Exclusive interview to Comunicação & Crise

A mídia não é guardiã da reputação pública de uma organização
Jonathan Boddy

Jonathan Bernstein
Entrevista ao Comunicação & Crise

Revista Time
Como salvar os jornais (e o jornalismo)

NSA, Rupert Murdoch e as lições sobre espionagem
Timothy Garton Ash

A Arte do Media-Training - Comunicação Empresarial de A a Z
Francisco Viana

Em constante alegria com os livros
Rodrigo Petronio

"La prensa ya no vertebra la opinión pública"

Quem maltrata mais você? Crises corporativas e o desrespeito ao cliente
Moisés Naím

Pais precisam se envolver com a vida dos filhos na internet
Michael Rich

Diploma de Jornalista - A Qualificação indispensável
Sylvia Debossan Moretzsohn

 A guerra pelo legado de
 Rupert Murdoch
 El País

 Ética y periodismo? no todo
 vale
 María Dolores Masano

 
 A morte dos jornais seria o
 fim da cidadania?

 Jessica Bruder

 O profeta da Comunicação
 Rachel Bertol

 Pode dar errado? Vai dar
 Ezra Klein

O destino dos segredos na era do WikiLeaks
Scott Shane

Vazamento da BP: "Foi uma sucessão de erros"
Entrevista Robert Dudley, CEO da BP

Como prosperar com o marketing do desastre
Valerie Bauerlein

O fim da privacidade
Carlos Eduardo Lins da Silva

Um país sem governo
Ethevaldo Siqueira

Comunicação interna em tempos de crise
João José Curvello

 A negação que devastou
 as marcas BP, Toyota,
 Goldman Sachs

Peter S. Goodman

O futuro dos jornais: avançando além das árvores mortas
Palestra Rupert Murdoch

Jornalistas&Cia
O futuro do jornalismo

Como a crise econômica aconteceu
Niall Ferguson

Dois desafios: gestão de crises e espiritualidade
Ian Mitroff

A crise é dos jornais e não do jornalismo
Gay Talese


Criminal Compliance como gestão de riscos empresariais

Entrevista sobre Media Training
Programa Jô Soares
Aurea Regina de Sá

Os 21 mais importantes links de Media Training
Brad Phillips

As 50 empresas mais admiradas do mundo (melhor reputação)
Revista Fortune 2011

Os 50 mais influentes pensadores de negócios do mundo
Forbes

Vídeo futurista
O futuro poderá ser apenas um toque na tela

 The World University Rankings - 2014
 Times Higher Education

O ranking dos sites de notícias com maior número de visitantes do mundo

Barômetro Edelman de Confiança 2014

No Planalto com a imprensa - Resenha

Time
Os 50 melhores websites

Ranking Forbes das marcas mais valiosas do mundo 2013

Por dentro da crise

flightsComo evitar crise em viagem ao exterior

Conceito de crise (ICM)

Entrevista exclusiva à revista Organicom

Como funcionam os Planos de Gerenciamento de Crises
Dave Roos

Entrevista sobre crise nos transportes para Agência CNT de Notícias

Entrevista sobre a gestão de crise do acidente da Air France

Entrevista sobre Crise e Agências de Comunicação ao site PR Interview

A arte de contornar problemas
Revista Negócios da Comunicação 2011-11-05

 Apagando o fogo
 Entrevista à revista Negócios da Comunicação

Palestra sobre Gerenciamento de Crise no Curso de Comunicação Organizacional da UnB

Como sobreviver a uma queda de avião

As 20 melhores empresas aéreas para uma viagem no exterior7

As piores empresas aéreas do mundo

Eficiência da tripulação e treinamento evitaram tragédia maior em San Francisco

Segurança: Quais os melhores lugares para viajar no avião

The 10 Steps Of Crisis Communications
Jonathan Bernstein

Os dez passos da Comunicação de Crise

Comunicação em situações de emergência

Crisis Manager
A comunicação de crise nas demissões, por Rick Amme

Para que serve o off the record

Novas mídias: Vale processar alguém que ridiculariza sua imagem?

Karen Friedman
Quando más notícias atingem pessoas boas

Austrália
11 dicas para lidar com uma crise empresarial

Furacão Katrina
O que não se aprendeu com os erros da crise

O poder de recuperação após a crise

Revista Fenabrave
Entrevista sobre Gerenciamento e Crise

Artigos sobre crise e reputação empresarial

Acesso a sites especializados em gestão de crises e comunicação

Resposta do Japão à crise: lições para empresas e comunicadores

O desafio de lidar com os stakeholders durante uma crise

Crisis Management and Communications
W. Timothy Coombs, Ph.D

O custo das catástrofes
Desastres naturais cada vez mais intensos e caros

Plano contra acidentes no pré-sal determina responsabilidades, mas não as ações a serem tomadas

Últimos posts do Twitter

 



Copyright 2013 © João José Forni. Todos os direitos reservados.
Todo o conteúdo do site é propriedade do titular. Artigos, palestras e cases contidos no site estão protegidos pela Lei de Direitos Autorais
e só podem ser utilizados com autorização do autor. Os artigos e as palestras assinados são de propriedade e responsabilidade dos autores.

VemJesus.com
Soluções Internet